Vaga-lumes & Estrelas – Histórias dos Personagens & Guia para compreendê-los

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Escrito por  Rafael Marques e Victor Garcia, Vaga-lumes & Estrelas foi o espetáculo apresentado no Potência 2016 e que causara uma série de curiosidades e teorias sobre o passado, a vida e os motivos dos personagens da trama.

2017 já começara e esse universo mágico ainda habita o Grupo de Teatro Colibri.

Finalmente, após intensas conversas dos autores do texto, está sendo publicado um guia oficial para compreensão dos personagens e relações que aconteceram durante a história.

Informações de séculos e mais séculos de acontecimentos por trás de 1:15 h de peça.

Divirtam-se e cuidado ao dormirem após lerem os segredos de Corydon.

 

Vaga-lumes & Estrelas

Histórias dos Personagens

&

Guia para compreendê-los

Adamastor

Ator: Lucas Samuel

História de Adamastor:

Rei do Reino de Crisóstomo, pai de duas princesas, Calista e Mérope. Adamastor perdeu sua rainha de modo triste, ao receber sua segunda filha, Calista.  Crisóstomo era um pequeno reino que já fora muito influente quase conseguindo ser comparado a Corydon, mas com o passar dos séculos fora alvo de vários ataques de outros reinos e apesar de sair como vencedor na maiorias das vezes, era reconhecido pelas grandes festas que fazia e pela enorme quantidade de ouro que gastava nesses eventos. Tornou-se rei inesperadamente quando seu pai abdicou-se do trono em seu favor, alegando estar cansado demais para tomar decisões que influenciassem tantas pessoas. Foi obrigado a casar-se com sua prima distante, Laila, no qual não era da linhagem real, mas era a mulher mais linda das terras médias e existia uma lenda que dizia que Laila era uma ninfa, e isso justificava seu encanto. Adamastor se tornou rei de um reino em falência, pois seu pai, em seus últimos anos de reinado, quase esvaziou os cofres oferecendo festas para as terras antigas tentando levantar o status social de Crisóstomo. A única maneira de levantar seu reino, foi abrindo mão de seus sentimentos paternos e colocando em primeiro plano o lado econômico. Calista, sua jovem filha precisava casar-se com um príncipe, somente então poderiam fazer com que o reino não caísse por terra e a população de Crisóstomo não passasse fome. A relação com suas filhas era, até certo ponto, afetuosa e paternal. Mas depois de começar a usá-las a favor do reino, Mérope se distanciou completamente chegando a fugir por certo tempo e Calista sempre usava “máscaras” para conversar com o rei. Adamastor acabou-se tornando um homem amargurado, refém da política e do cinismo.

 

Lembranças

 

“ A pequena Mérope dava seu primeiro suspiro no mundo. A primeira filha de Adamastor.

Adamastor – Eu prometo minha querida, o mundo será seu. Você é tudo pra mim

Adamastor mentiu. ”

 

“ Calista, a jovem Calista, parecia-se tanto com a mãe. Ela era a salvação do reino, ela precisava ser usada. ”

 

“ O pai de Adamastor lhe chamou nos aposentos e dissera:

Alceu – A partir de amanhã você será o novo rei.

Adamastor-  Mas pai você não pode…

Alceu – Adamastor, retire-se.

Adamastor – Mas minha felicidade…. Você deveria basear suas decisões no amor e …

Alceu – O amor não deve ser a razão de tudo meu filho. O dinheiro lhe dará a felicidade que precisar. Agora vá, sem questionamentos. ”

 

***

 

Agna

Atriz: Naiara Oliveira

História de Agna

 

Rainha de Corydon, antiga princesa do reino de Lâseja. Tinha uma bela vida quando princesa, era um reino tranquilo, nas margens do Rio Platinado.  Quando rainha, teve um reinado próspero, no entanto caiu em loucura após a morte de seu marido e a presença de Cinara e Cinira nos reinos. Sua infância não é conhecida, mas lendas diziam que quando pequena, Agna era protegida por ninfas do ar e sempre chorava dizendo estar sonhando com criaturas más de olhos verdes correndo atrás de si.

Lembranças

 

“ Certa vez seu destino foi traçado. Enquanto olhava as estrelas nas margens do Rio, escutou os trotes de um cavalo. Ao olhar para trás, viu um lindo cavalo branco, em cima dele um príncipe.Era  Faón.

Agna – O que fazes aqui Alteza?

Faón descera do cavalo, ajoelhara e beijara a mão da princesa.

Faón – Estava em busca de criaturas más. Dizem que Cinara e Cinira estão fora dos sonhos, causando confusão no plano real. Acabei me perdendo.

Agna – Não deveria procurá-las príncipe. Dizem que se as procurar, elas não aparecem, se não as quer por perto, elas permanecem. Ninguém quer ficar perto das criaturas, são assassinas.

Faón – Você tem medo princesa?

Agna – Eu evito-as.

Faón – Posso protegê-la, se assim quiser.”

 

Agna – Como estou?

Althaia – Está linda rainha!

Agna – Está tudo pronto? Meu buquê? Onde está?

Althaia – Está em cima da cama. Fique tranquila.

Agna –Althaia, e se…

Althaia– Rainha, tudo dará certo. “

 

Althaia– É um garotinho.

Com lágrimas escorrendo pelos olhos, Agna visualizou a pele branca de Klaus, e o abençoou com toda glória das estrelas”

 

“ Dentro da mente de Agna, Cínara e Cinira cochichavam coisas pra rainha:

Cinara –Althaia está te traindo. Ela vai matar Klaus.

Cinira – O príncipe Faón já está aqui Agna, não quer encontrá-lo?

Gêmeas –  Vamos Agna, mate-se. Mate-se. Sua vida acaba aqui. A loucura te dominou. Nós ganhamos”

 

 

“Agna em crises de loucura

ELEUTHÉRE – Vossa alteza, lhe trouxe o jantar.

AGNA – Obrigado meu jovem, por favor, chame Faón, tenho novidades…

ELEUTHÉRE – Mas rainha…

AGNA – Ah, claro, ficou curioso! (Gargalha)

ELEUTHÉRE – Não, eu só…

AGNA – Estou esperando uma criança, Helena, uma doce menina. Vai ser linda, não acha? Mas, se for um menino, se chamará Klaus, é um belo nome, certamente.

ELEUTHÉRE – Você precisa se alimentar.

AGNA – Klaus já está dormindo? Ele não veio me dar boa noite.

ELEUTHÉRE – Sim, senhora.

AGNA – (zangada) Acorde-o, chame-o aqui. (Doce) Não grite Eleuthére, vai acordar Klaus, o pobre bebê já está dormindo.

ELEUTHÉRE – Eu preciso ir.

AGNA – Traga meu vestido, quero estar tão linda quanto uma estrela para meu casamento com o príncipe Faón.

ELEUTHÉRE – Volto em breve.

 AGNA– Mas quem é você? (Gargalha) ”

 

***

Althaia

Atriz: Stéfane Pinheiro

História de Althaia

 

A História de Althaia inicia-se no mesmo momento em que o mundo mágico é criado. Não se sabe muito bem como ou porquê a magia nasceu. Diz a lenda que o mundo era um grande espaço ermo, e que partículas mágicas se uniram com o passar de incontáveis anos formando os primeiros bruxos e bruxas. Estes uniram-se e através de suas magias combinadas e um ritual da “Dança da Criação”, tudo que existe no mundo mágico foi criado. Entre os bruxos, foi escolhido um para governar este mundo novo. O Escolhido deu aos outros bruxos a liberdade de criarem reinos que com o passar do tempo cresceram. Alguns se uniram, outros se tornaram rivais. O Escolhido deu origem ao maior de todos os Reinos desde a criação: Corydon, que significa “ Sempre prontos para a batalha”. Corydon era o centro de toda a terra mágica e o reino que manipulava os acontecimentos de todos os outros. O Escolhido, ainda novo porém fraco pelo grande uso de magia, durante seus últimos dias de vida usou o resto de magia que possuía para criar algo que defendesse aquele reino para sempre. Unindo toda a magia em seu ser, criou uma árvore diferente de qualquer uma vista no mundo. Nesta árvore nasceram 7 frutos que se desenvolveram dando origem às 7 irmãs líderes espirituais de Corydon: Acidália, Adisa, Angícia, Anésia, Argira, Ariestéia  e Althaia. Apaixonado por uma humana, O Escolhido morreu deixando um filho, e deixou as 7 líderes espirituais responsáveis por, daquele dia em diante, cuidar de todos os futuros jovens príncipes do reino, prepará-los para serem reis e proteger aquelas terras com suas vidas.

Descobriu-se que o filho do Escolhido não nascera bruxo como seu pai e assim também aconteceu em todos os outros reinos. As gerações de bruxos e bruxas diminuíam e esses deixavam de serem reis e rainhas para se tornarem soldados e protetores daquele mundo, assim como fontes de adoração e endeusamento. Raramente novos bruxos nasciam e alguns humanos ainda procuravam mestres que os ensinassem a magia ( branca ou negra ) para se tornarem, por opção, bruxos bons ou ruins que poderiam mudar o mundo. Os humanos começavam sua era de domínio e em Corydon, geração após geração, as líderes espirituais, imortais graças à magia do Escolhido, cuidavam da família real.

Tudo ocorria com equilíbrio, Corydon permanecia no topo dos reinos governando. Fora atacado por reinos que almejavam seu lugar de poder, mas o grande reino sempre vencia as guerras.

 

Até que um dia, algo mais forte atacara. Algo maior que um reino rival. Durante o reinado do Rei Dinarte, Corydon sucumbiu diante da magia de Cinara e Cinira, criaturas lendárias temidas em todo o mundo mágico. Como de costume as 7 irmãs foram até as criaturas e travaram uma sangrenta batalha para proteger Dinarte, sua rainha e seu jovem príncipe Faón.

Durante a batalha, centenas de mortes aconteceram inclusive a do próprio Rei Dinarte. Althaia vira suas outras 6 irmãs morrerem diante de seus olhos quando as mesmas, usando suas últimas forças, lançaram uma magia em Cinara e Cinira afim de pará-las quando estavam perto de matar a própria Althaia. As seis caíram exaustas no chão e foram torturadas pela magia das criaturas até a morte.  Althaia diante de toda aquela cena, usou tudo de si para lançar uma magia que repeliu a presença de Cinara e Cinira e as trancou no plano dos sonhos. Um eclipse se instalou naquelas terras durante meses e só sumiu após o novo rei, Faón, assumir o trono e reerguer Corydon que se consolidou como o Reino dos Reinos novamente. Althaia, agora sozinha, assumiu o cargo de todas as irmãs e se comprometeu a continuar cuidando da linhagem real e preparando os jovens príncipes para serem reis. O seu preferido, Klaus, filho de Faón, foi tratado como um filho. Ela o criara mais que a própria mãe. Klaus e Althaia nutriram um laço intenso, sendo que um facilmente se sacrificaria pelo outro. Lendas e relatos dizem que Cinara e Cinira não foram destruídas, e foram vistas nos sonhos de algumas pessoas, seu principal local de manifestação.

 

 

Lembranças:

 

“ Os trovões ecoavam, as irmãs de Althaia iam caindo no chão. Corpos sem vida. A magia ia enfraquecendo. Todos perdiam a esperança. A risada de Cinara e Cinira ecoava pelas paredes do palácio. Dizia a lenda que elas eram criaturas dos sonhos e que não podiam ficar muito tempo no mundo real, mas agora elas mudavam, elas cresciam à medida que eram alimentadas por todo o sangue que derramavam, se tornavam reais. Althaia, a única sobrevivente das líderes, fechou os olhos, pediu ajuda dos anciãos supremos da Ordem Suprema dos Magos da Criação e com um último esforço, repeliu e trancou as criaturas no plano dos sonhos. No pátio, corpos de líderes espirituais e do próprio rei jaziam no piso frio. O eclipse brilhava no céu escuro, e pela manhã, ela ajudaria Faón a ser Rei.”

 

“ Althaia balançava o jovem Klaus nos braços. Ele sorria enquanto Althaia cantava a música dos vaga-lumes para o príncipe. Ele pegava em seu cabelo e sorria para ela”.

 

“ Althaia sentia alguém puxando a barra de seu vestido, olhando para baixo, viu um pequeno príncipe vestido de cavaleiro pedindo um bolinho que estava em cima da mesa e não alcançava. Agna proibira Klaus de comer doces, mas Althaia olhou pra um lado, para o outro, e pegou um bolinho para Klaus e um pra ela também.”

 

***

Calista

Atriz: Roberta Alves

História de Calista

 

A princesa mais bela das terras antigas, tem o espírito puro como a própria magia branca. A luz parece irradiar de Calista, todos gostam dela no momento em que a conhecem.

Todos, exceto aquele que ela mais esperava admiração, Klaus. Filha mais nova do rei de Crisóstomo, foi destinada a um futuro realizado por golpes. Não conhecera sua mãe, Rainha Laila, pois essa morrera dando à luz à Calista. Colocada na frente de sua irmã mais velha, Calista começara a ser usada como instrumento de poder de seu pai. Passou anos apenas aceitando o destino, até que se cansou e começou a lutar por ele. Espírito forte, determinada e sonhadora, Calista sempre conseguiu o que queria, mesmo que nos últimos minutos.

 

Lembranças:

 

“ Assim que abriu os pequenos olhinhos, e viu a luz do mundo pela primeira vez, o pequeno bebê visualizou um rosto belo à sua frente, um rosto que sorria muito e irradiava luz, um rosto pálido, um rosto que falava:

Rainha Laila –   Calista, esse é o seu nome, a mais bela. Te amo minha filha.

Um rosto que sumira pois a pequena princesa fora arrancada dos braços da mulher que agora possuía olhos sem brilho e um corpo sem espírito.”

 

 

“ Aos 4 anos, a pequena princesa estava no campo mais florido das terras médias, corria atrás dos raros vaga-lumes de Crisóstomo. Sua irmã estava sentada ao lado de seu pai. Os dois a observavam como se fosse a criatura mais curiosa do mundo. Calista sorriu, correu para os braços de seu pai, e este a abraçou. Mérope também a abraçara, eram de fato uma família feliz.”

 

“ A princesa penteava seus cabelos, olhando-se no espelho. No canto do quarto Mérope estava sentada, olhando fixamente para sua irmã. Incomodada, Calista tenta puxar assunto.

Calista – Como era?

Mérope – Quem?

Calista- A mamãe.

Mérope – Linda, a mulher mais linda que conheci.

Calista- Ela… sorria muito?

Mérope- Estava sempre sorrindo.

Calista- Eu queria tê-la conhecido.

Mérope – É… o destino trouxe você, mas levou ela.”

 

***

Cinara e Cinira

Atrizes: Karla Alessandra e Maria Luiza

História de Cinara e Cinira

 

Não se sabe muito sobre as criaturas, poucos sobreviveram ao seu aparecimento para relatar como se comportam. Contudo, lendas dizem que elas surgiram da “Dança da Criação” juntamente com os primeiros bruxos e seres mágicos. Desde o início existem o bem e o mal, e de acordo com as lendas, as gêmeas foram criadas a partir de um desiquilíbrio das partículas de magia negra. São criaturas imortais que se alimentam do medo e desespero. Aprenderam a usar os piores tipos de magia e usam as piores armas para torturar suas vítimas. Relatos dizem que no início as criaturas poderiam andar tanto sobre a terra quanto nos sonhos das pessoas quando e como quisessem e que nenhum Mago Supremo da Criação conseguiu destruir suas essências. Elas estão sempre completando as frases uma da outra por terem seus pensamentos interligados e sua principal arma de tortura é a capacidade de trazer dúvidas que não possuem respostas e extrair os piores sentimentos do fundo da alma da pessoa, aqueles sentimentos que as pessoas negam ter e escondem nos lugares mais profundos de seus corações. Poucas são as criaturas mágicas que conseguem entrar nos sonhos e durante certa parte da história, Cinara e Cinira mataram centenas de pessoas e até destruíram reinos assassinando suas vítimas dentro de seus próprios sonhos. Faziam isso pois, dessa forma, nunca havia vestígios do crime como sangue ou marcas de batalha. As pessoas simplesmente eram atacadas dentro de seus sonhos e jamais acordavam, daí a origem da lenda fundamental do mundo mágico, a lenda que todos conhecem e temem:

“Diz a lenda, que quando você dorme, é capaz de deixar este plano. Talvez seus sonhos, sejam mais que um momento de descanso, talvez seja esta a forma de você viver outra vida, em outro lugar, enquanto se desliga do que todos chamam de realidade. Você pode sorrir mudar, construir e demolir. Você pode amar. Você pode odiar. E da mesma forma que é capaz de viver, você é capaz de morrer. Diz a lenda, que se você morrer em seus sonhos, você jamais acordará na vida real. ”

 

Cinara e Cinira nunca escolhem lados, apenas agem da forma que as beneficia podendo fazer acordos ou não. Relatos indicam que durante um ataque ao maior reino das terras mágicas, Corydon, Cinara e Cinira foram vencidas e aprisionadas dentro do plano dos sonhos. Lá continuam fazendo vítimas e almejam muito voltar para o plano real e vingar-se de quem as aprisionou.

 

Lembranças

 

“ Enquanto Cinara e Cinira limpavam sua corrente mágica que imobilizava suas vítimas, após a usarem contra mais um rei, começaram a discutir sobre o que era a vida para meros mortais.

 

CINARA – A vida é um mero estado de consciência em que se podem tomar decisões.

CINIRA– Muitas dessas decisões são idiotas, e têm como consequência a morte.

CINARA– Ora Cinira, nem a morte cura a idiotice!

CINIRA– Ahh Cinara, tu falas como se as escolhas fossem limitadas.

CINARA– Questionamentos e mais questionamentos! Qual a razão nas escolhas? O que faz-nos tomá-las?

CINIRA– Consciência?

CINARA-Impulso?

CINIRA – Os deuses?

CINARA – Algumas coisas não deviam ser questionadas.

CINIRA – Algumas coisas deveriam ser como o céu.

CINARA– Infinitas

CINIRA– Quase inexploráveis

CINARA– As coisas não deveriam mudar tanto quanto as fases da lua.

CINIRA– Deveriam ser monótonas.

CINARA– Paradas

CINIRA– Óbvias.

CINARA– Então a realidade não é tão mutável quanto à ilusão?

CINIRA– Acho que a ilusão é apenas um refúgio para fracos. ”

 

***

Eleuthére

Ator: William Andhel

História de Eleuthére

Herdeiro da linhagem regencial, nasceu e cresceu dentro do castelo. Viveu durante pouco tempo com sua mãe, Diana, pois esta foi condenada por traição ao reino de Corydon por trocar informações com o reino inimigo de Ítaca, liderado pelo rei Dracon, ajudando o inimigo a ultrapassar as fronteiras de Corydon. Melhor amigo do príncipe, cresceu sendo ensinado a honrar e servir a família real. Sempre se meteu em encrencas pois o rebelde príncipe sempre fugia de suas obrigações e chamava Eleuthére para ir em pequenas aventuras pelos jardins e florestas com ele. Quando pegos, o jovem príncipe era repreendido e Eleuthére era castigado por “ arriscar a vida do príncipe em lugares sem proteção. ” Suas relações com o pai eram extremamente afetuosas, até a morte de sua mãe. Desde então, Eleuthére é usado para apagar a mancha da família e honrar a casa dos regentes. Sempre fora pressionado, os únicos momentos de descontração que tinha, eram nas pequenas aventuras pelo castelo e festas da realeza na qual acompanhava Klaus.

 

Lembranças

 

“ Eleuthére estava com sua mãe e seu pai, sentados em uma campina vasta, olhando o céu. A maioria das pessoas faziam piqueniques á tarde. Eles faziam a noite e juntos encontravam constelações na infinidade do céu. ”

“ Os guardas vieram, entraram no alojamento dos regentes e pegaram sua mãe. Ela não reagiu nem fez nada, apenas aceitou ser punida pelo crime que cometera, mais tarde descobriram que o Rei de Ítaca, Dracon era irmão de Diana, e este estava ameaçando matar Eleuthére caso ela não o ajudasse a penetrar no palácio. ”

“ Klaus e Eleuthére corriam pela floresta, fingiam ser cavaleiros bravos e quando viam esquilos ou antílopes, corriam atrás gritando:

Klaus e Eleuthére– Está aberta a temporada de caça aos dragões.

Sujos de lama e molhados por atravessarem rios, eles voltavam para o palácio. Klaus se dirigia aos aposentos da família real e Eleuthére pro lado oposto, mas antes faziam um toque de mãos que criaram quando eram bem pequenos e diziam:

Klaus – Até amanhã Sir Eleuthére, você caçou bem hoje, está ficando muito bom nisso.

Eleuthére – Até amanhã Sir Klaus, sua princesa te aguarda na torre, é melhor não se atrasar.

Klaus – Ah, cala  a boca idiota.”

 

***

Epifânia

Ator: Lucas Samuel

História de Epifânia

 

Mensageiro do Reino de Corydon, Epifânia está sempre de ouvidos atentos para escutar informações e as espalhar por todo o reino. É famoso por disseminar informações sigilosas e causar confusões, mas sempre se mantém fiel a Corydon. Mantém rixas constantes com Althaia que ao contrário de Epifânia tenta acalmar o máximo as fofocas do reino. Aleijado, possui movimentos tão leves quanto uma pena. Se desloca por todo reino anunciando as notícias diárias e balançando suas vestes dotadas de sinos que trazem consigo uma presença enigmática. Sempre atento a cada palavra que ouve procurando provas de contradição que possam ser usadas contra a pessoa em alguma futura situação. Irônico com a maioria das pessoas que conversa, exceto a família real. Epifânia sofreu muito por ser aleijado, por esse problema seu sonho de criança fora destruído. É filho de um grande general do exército de Corydon e quando pequeno, sempre sonhara ser um grande soldado como seu pai. Treinava muito para isso, mas sempre gostara de ouvir conversas por trás de portas e muros. Um certo dia, enquanto treinava seus golpes com a espada em uma árvore na floresta ouviu os galopes de cavalos vindos em lados opostos. Curioso, subiu em cima de uma grande árvore para que não fosse visto e pudesse escutar o que aquelas pessoas conversariam. Quando os cavalos se aproximaram percebera que se tratava do rei Faón e de Dracon, rei do reino de Ítaca, inimigo de Corydon. Tentando ouvir melhor a conversa foi se aproximando na beirada dos galhos e pisando em um muito fino, este quebrou-se lançando Epifânia no chão, que ficara muito machucado e posteriormente aleijado. Seu sonho de ser um soldado acabara ali e Faón o dera a missão de ser o mensageiro do reino.

 

Lembranças

 

“ Epifânia subira rapidamente na árvore e quando os cavalos, um branco como as nuvens do céu e outro negro como a escuridão da noite, pararam, os reis de Corydon e Ítaca, antigos amigos e atuais inimigos, desceram de seus cavalos e se colocaram um de frente pro outro. Ouve um silêncio até começarem a falar.

DRACON –Faón … você não envelheceu nenhum dia.

FAÓN – Ironia Dracon?

DRACON – De forma alguma …. Parece não confiar muito em mim, sei que seus soldados estão escondidos a alguns metros de distância.

FAÓN – Claro, assim como os seus atrás daquelas árvores?

DRACON – Esperto … muito esperto. Então, por que me chamastes aqui?

FAÓN –Dracon, nossos reinos têm lutado por tanto tempo. Centenas de pessoas já morreram. Você continua a invadir reinos menores e destruí-los assim como vez com o reino de Talassa. São novos tempos meu caro, eu proponho a paz e aliança dos reinos.

DRACON – ( ri com escárnio ) É sério Faón? Me fez sair de Ítaca para ouvir você falar essas besteiras? Ingênuo como sempre… E o que ganho com isso? Corydon é o centro de tudo, tem centralizado todo o poder e decisões das terras mágicas. Os outros reinos não são visíveis e vocês não ligam para os conflitos menores. Importam-se até o ponto em que lhes interessa.

FAÓN – Lutamos ao lado de Talassa e Crisóstomo em suas pequenas guerras.

DRACON – Provavelmente você tinha interesses. Sua bondade será tão natural como tu pensas?

FAÓN – Eu me esforço pra ser assim …

DRACON – Não haverá paz entre Corydon e Ítaca até um de nós estar mortoFaón … nossos pensamentos são diferentes. Você poderia fazer um reino maior com o poder que têm, mas insisti em viver nessa teoria de paz e contribuição. Não sabe o que está perdendo.

 

Enquanto falavam iam se afastando da árvore em que Epifânia se encontrava e ficava mais difícil de ouvir. Tentando ouvir melhor Epifânia se aproximara dos galhos mais extremos e consequentemente mais finos. O galho quebrara e lançara o jovem Epifânia no chão que gritou de dor. Rapidamente Faón e Dracon olharam.

FAÓN –Epifânia?

DRACON – Conhece-o?

FAÓN – É um jovem de Corydon.

DRACON – Que seja, nossa conversa acaba por aqui. Não haverá paz entre nós Faón. Nunca. Sei que fomos amigos na infância … Mas esse tempo passou, existem prioridades agora. Aqueles que se deixam levar pelos sentimentos morrem. Adeus.

Então Dracon fora embora e Faón pegara Epifânia que gritava de dor e o levara de volta para Corydon. Talvez Althaia pudesse fazer algo por ele. ”

 

“Durante o tempo em que Klaus esteve em coma:

EPIFÂNIA – Com licença, Althaia minha querida, quanto tempo.

ALTHAIA – Epifânia… digas logo o que queres… posso sentir cheiro de interesses daqui…

EPIFÂNIA – Ainda usando suas magias?

ALTHAIA – Não preciso de magia para sentir sua falsidade, agora diz o que queres e saia logo daqui.

EPIFÂNIA – Quanto mau humor. É você quem cuida do amado príncipe Klaus não é mesmo? Como ele está?

ALTHAIA-Se importa mesmo com o jovem príncipe ou só quer novas informações para que possa espalhar por aí e fazer com que o reino entre em caos?

EPIFÂNIA – Caos? Então quer dizer que as coisas não estão boas para o lado do príncipe?

ALTHAIA– Eu não disse isso. Epifânia, se tiver que dizer algo para o povo, apenas diga que Klaus segue com cuidados especiais. Se quiser ser ainda mais útil, saia daqui e deixe-me pensar em paz.

EPIFÂNIA – Cuidado Althaia, as paredes têm ouvidos, existem pessoas insatisfeitas com seus afazeres.

ALTHAIA – Epifânia, não me faça chamar os guardas. Saia, agora. ”

***

Estrela

Atriz: Naiara Oliveira

História da Estrela

 

Diz a lenda que no início o Céu não possuía tantas estrelas como atualmente e só depois que o mundo foi povoado que as estrelas começaram a aumentar pelo simples fato da lenda dizer que, ao morrer, as pessoas boas se tornariam estrelas e as más se tornariam vaga-lumes. As constelações seriam pessoas próximas que se reencontravam novamente ao se tornarem estrelas e assumiam posições que remetiam a lembranças de suas vidas passadas. As Estrelas originais, aquelas que nunca foram humanas, eram seres mágicos que poderiam entrar em qualquer plano. Reza a lenda que ao descerem para terra e ao encontrar com alguma pessoa, elas assumiam a forma física parecida com a da pessoa que o indivíduo mais admira. Elas nutrem bons sentimentos por aqueles que as admiram durante boas horas olhando para o céu, e podem dar auxílio e trazer esperança para seus admiradores nas horas mais sombrias de sua vida. São conhecidas por trazerem a paz, a luz e serem fiéis até o fim de suas existências.

 

Lembranças

 

“ Lá de cima, a Estrela original observava Klaus em seu sono profundo, sentia uma áurea negra em torno do príncipe e resolveu descer e entrar nos sonhos daquele que desde pequeno passava horas da noite admirando seu brilho. Ao entrar nos sonhos, percebera que Klaus estava sendo torturado por criaturas das trevas e estava perto de sucumbir e desistir de sair daquele estado. A Estrela fez um leve movimento com suas mãos e afastou as criaturas por tempo suficiente para que Klaus pudesse se reerguer e absorver um pouco de esperança. “

 

***

Faón

Ator: Thierry Rezende

História de Faón:

Rei de Corydon, filho do antigo Rei Dinarte. Começou a ser ensinado a ser rei aos 5 anos, pois quebraram a tradição que dizia que somente aos 10 os pequenos príncipes poderiam começar a ser preparados e somente aos 12 receber todo o informativo.
Faón fora obrigado a assumir o trono aos 14 anos, quando Dinarte juntamente com 6 das 7 líderes espirituais morreram após lutar bravamente em uma batalha que quase destruiu Corydon. Apenas uma líder sobrou, Althaia. Faón teve um casamento arranjado em poucas semanas, com Agna, princesa do reino de Lâseja. Por sorte, estes já se conheciam e eram apaixonados, então não houve relutância quanto ao ocorrido. Faón teve um pequeno principezinho no qual nomeou Klaus. Seu único filho, um homem. Como sempre sonhara. Neste dia sentiu um orgulho imenso.  Era o rei mais feliz do mundo.

 

Lembranças –

 

“ Aos 10 anos, Faón fugia de suas aulas de como ser um Rei. Dava muito trabalho às 7 líderes espirituais que passavam horas procurando-o. Na maioria das vezes, estava explorando as cavernas do Norte com seu melhor amigo, Relinde. Iam para festas e reuniões secretas, escondidos. ”

“ Aos 12 anos, Dinarte começou a pressionar Faón para ter uma postura mais aceita para a família real. Se distanciou um pouco de Relinde e sentia falta das aventuras que passou com o amigo, mas foi influenciado a se distanciar e perceber que Relinde vivia para lhe substituir. ”

“ Eram jovens, ele e Agna nadavam sob as cachoeiras mágicas de Corydon. Planejavam um futuro. Um lindo bebê, e um reinado próspero.”

“ Todas as noites de tempestade, Faón tinha pesadelos. Escutava risadas em sua cabeça e podia jurar que sempre que abria os olhos depois de escutar as risadas e olhava pela janela, via dois pares de olhos verdes florescentes, e quando piscava, eles não estavam mais lá. Em determinada fase da vida de Faón ele passou a dormir com as líderes espirituais guardando seus aposentos.”

“ Guerras estouravam em todas as partes da terra média. Ítaca ameaçara Corydon. A saúde de Faón já se tornava precária. Klaus precisava reconhecer sua linhagem. O reino precisava ser protegido. Infelizmente Faón pela primeira vez chorou ao decidir ser odiado pelo filho, mas ter a vida de todos seus súditos protegidas, o mesmo garotinho que ele brincava, e levantava no ar, teria que ser pressionado para se tornar um homem. O mesmo que acontecera com Faón”

 

***

Klaus

Ator: Rafael Marques

História de Klaus

 

Jovem príncipe do Reino de Corydon, destinado a ser o rei desde que foi concebido, Klaus vê o mundo com um olhar diferente. Com o intuito de abandonar a burocracia da realeza, as velhas tradições e costumes e viajar pelo mundo como um aventureiro, está sempre brigando com seu pai que exige o cumprimento perfeito das tradições hereditárias. Quando pequeno, costumava ser um garotinho feliz e conversava com todos do reino. À medida que fora crescendo e fora ensinado a como ser um futuro rei, Klaus começou a perder o brilho do olhar, ficou pensativo, aprendeu a jogar o jogo de máscaras e fingir sorrisos quando necessário, contudo sempre tentava ficar sozinho na maior parte do tempo, planejando saídas e um futuro diferente daquele que estava destinado.

 

Lembranças:

 

“ Era noite, a chuva forte caía do lado de fora e trovões ensurdecedores estremeciam o grande palácio de Corydon. Faón segurava a mão de Agna, um casal jovem e feliz que dominavam um reino próspero e bondoso. Agna sorriu ao ouvir o choro do jovem principezinho que, agora, se encontrava nos braços de Althaia que já fazia uma oração pela proteção de Klaus. ”

 

“ Klaus tinha 5 anos, ele e Eleuthére corriam pelo palácio e quase derrubaram Althaia.

Althaia – Meninos, cuidado! Vão acabar machucando alguém ou se machucarem.

Klaus – Desculpe “Fafaia”. A gente tá brincando de guerreiros e dragões.

Althaia – Venham aqui, vou lhes contar uma história.

Eleuthére – Uma história? Sobre o quê?

Althaia – Uma história de como o avô de Klaus, o Rei Dinarte venceu o poderoso rei dos dragões das montanhas do Norte. ”

 

“ Aos 10 anos, Klaus ainda não era tão pressionado pelo destino, Faón ainda se comportava como seu pai, e não como ser rei.

Faón – Está vendo as montanhas do Leste? Tudo aquilo, até o Vale da Morte no Oeste, será seu.

Klaus – Até o lago?

Faón – Sim pequeno, até o lago. E você será um grande rei. Fará o melhor para o povo. Está com sono pequeno?

Klaus – Um pouco papai.

Então Faón pegou Klaus no colo e ficou segurando o príncipe no ar:

Faón – Então vamos dormir, dessa maneira poderá voar alto e realizar todos os seus sonhos. ”

 

“ Aos 11 Klaus já sentia o fardo que deveria carregar. Conversava com Eleuthére enquanto olhavam as estrelas.

Eleuthére – Duvido que você beija a filha do Conde Charlie na próxima festa.

Klaus – Que nojo.

Eleuthére – Os adultos fazem isso.

Klaus – Adultos são nojentos.

Eleuthére – Não vejo a hora de conhecer a minha futura esposa, e teremos lindos filhos e você será o padrinho.

Klaus – Somos meio novos para pensar nisso não acha? (Eles riem)

Faón – Klaus? Por que está aqui atoa? Não deveria estar treinando esgrima?

Klaus – Mas pai, já está de noite e …

Faón – Conversando atoa você não se tornará bom o suficiente, vá logo e depois poderá dormir.

Klaus – Mas pai…

Faón – Klaus …

Klaus – Como o senhor quiser.

Faón – Quanto a você Eleuthére, poderá voltar para os aposentos dos Regentes.

Eleuthére – Claro, perdão Majestade. ”

 

“ Aos 12, Althaia precisou exigir mais do jovem.

Althaia – Querido, você precisa deixar sua coluna ereta.

Klaus – Desculpe Althaia. Onde estão meus pais?

Althaia – Eles estão… ocupados. Fiz um bolo proa você.

Klaus – Obrigado… você parece se importar mais que minha mãe.

Althaia – Você terá suas respostas querido e eu estarei do seu lado até o final. Eu prometo. ”

 

“ Aos 14:

Eleuthére – Klaus, quem é ela?

Klaus – Acho que se chama Calista, é princesa de um reino aliado.

Eleuthére – Ela não para de olhar pra você. Faça algo.

Klaus – Por favor Eleuthére, tenho coisas mais importantes para fazer agora.

Contudo, no fundo Klaus sentia que acabaria se apaixonado pela princesa, mas continuaria focado em sua liberdade. ”

 

***

Luke

Ator: João Marcos

História de Luke

 

Servo de Corydon, Luke tem um passado misterioso. Poucos sabem como o jovem surgiu em Corydon. Raramente fala sobre sua vida e é o servo mais fiel de Faón e coincidentemente é aquele a quem Faón mais deposita confiança. Na realidade, Luke é um jovem príncipe trazido do reino de Talassa que fora destruído pelo reino de Ítaca. Faón era um dos soldados que lutaram ao lado de Talassa, porém fracassaram e aquela terra foi tomada e destruída. O único sobrevivente da família real de Talassa era Luke. Este, ainda bebê, fora trazido para Corydon e criado as escondidas por Faón e Althaia. À noite, Althaia ensinava Luke os deveres de um príncipe, no intuito de um dia o jovem se tornar forte e voltar até Talassa para reerguer seu reino como um próspero rei.

 

Lembranças:

 

“ Luke era um pequeno bebê, escutava estrondos e olhava luzes e tochas passarem diante de seus olhos. A Rainha corria com o bebê, até que ela fora atingida por uma flecha nas costas e caíra no chão. Luke ainda nos braços da rainha morta, foi parar embaixo de uma placa de concreto, vestígio da destruição do palácio. Um jovem rei passara diante das estruturas e vira um pedaço da manta que enrolava o bebê, procurou e achou o pequeno nos braços de uma jovem rainha morta. Faón o levara para Corydon. ”

 

“Era noite, Althaia explicava tudo a Luke:

Luke – Quando poderei partir?

Althaia – Quando estiver preparado Luke.

Luke – Preciso exercer minha vingança. Preciso vingar meus pais e meu povo.

Althaia – Você ainda não está pronto. Não deve ir.

Luke – Devo isso a Faón, um dia lhe honrarei.

Althaia – Tenho certeza que vai.”

 

***

 

Mérope

Atriz: Marina Maíza

História de Mérope

Princesa do reino de Crisóstomo, filha mais velha de Adamastor, Mérope sofrera muito quando pequena. Sua mãe morrera quando ela ainda era uma pequena princesinha. Quando era filha única, a mãe brincava todos os dias com ela. Elas costumavam caçar juntas os cervos brancos e lhe contava muitas histórias, já o pai nunca a notara muito. Quando Calista nasceu e a mãe morreu, o mundo de Mérope desabou. Calista passara a ser a protegida da família e o pai a rejeitara ainda mais. O refúgio de Mérope foi a magia. Fugiu do reino por um ano, foi até as terras escura a procura de Nicias, a bruxa mais temida das terras. A princesa ofereceu três dezenas de almas a Nicias, se ela recebesse a magia que necessitava para fazer as coisas acontecerem da maneira como ela queria. Primeiramente Mérope só queria alterar o destino, mas o poder tomou conta de seu espírito e ela sucumbiu. Precisou matar para pagar a dívida da bruxa, aprendeu a viajar pelos sonhos e matar sem que fosse pega. Certa vez, dentro dos sonhos de um antigo rei que matara, ela traçou o caminho com Cinara e Cinira que indiferente a pessoas boas ou ruins, tentaram matá-la. Mérope fez outro acordo oferecendo a vida da linhagem real de Corydon pois soube que sua irmã iria casar-se com o príncipe do reino, tudo ficou mais fácil. Mérope aliou-se a alguém dentro do palácio, no qual lhe deu acesso ao rei, que foi envenenado através do odor de flores enfeitiçadas pela bruxa e morto por Cinara e Cinira tendo sua alma arrancada. Juntas, Mérope, Cinara e Cinira dominavam Corydon. Era a segunda vez que as criaturas danificam o reino e aliadas a bruxa, atormentaram o príncipe de forma intensa.  Influenciou na vida de Agna, que com o espírito de luto, se tornou vulnerável a presença de Cinara e Cinira no palácio. O que Cinara e Cinira não esperavam é que Mérope não iria entregar Klaus facilmente como havia prometido, ela o queria. Queria matá-lo com as próprias mãos por nunca a ter notado assim como todos os outros príncipes. De acordo com as regras Klaus deveria se casar com ela que era a filha mais velha de um reino aliado, mas não foi isso que aconteceu, Klaus fora destinado a Calista. Então Mérope traiu Cinara e Cinira, desejando a vida do príncipe e mais tarde, foi traída pelas mesmas.

 

Lembranças
“ A rainha Laila colocou Mérope em um balanço, e a balançou até o alto. Elas sorriam muito e os dias em Crisóstomo eram claros, e as noites estreladas. Mérope era a princesa mais feliz do mundo. Quando a mãe morrera, os dias de Mérope passaram a ser nublados e as noites, sem muitas estrelas. ”

 

“ Mérope estava no canto da sala. Via o pai brincar com Calista como nunca fizera com ela. Uma onda de dor se instalou no peito da jovem princesa, ela saiu correndo chorando sem que ninguém percebesse. ”

 

“ Ela olhou para as mãos, estavam sujas de sangue. Olhou para frente e viu corpos de pessoas que havia matado. Seus súditos das trevas caminhavam para o seu lado e ela mantinha as lágrimas nos olhos, se elas escorressem, demonstraria fraqueza e ela não era mais a garotinha que chorava nos cantos, sozinha. ”

 

“ Mérope lançava a magia, controlava o sonho do Klaus. Não iria deixá-lo acordar. Não iria deixar que ele e sua irmã tivessem um final feliz, sendo que nenhum deles olhou para ela e ofereceu ajuda. Ela sentira dor demais, agora precisava causar um pouco de dor para que tudo fosse justo. ”

 

***

 

Nincandro

Ator: Thierry Rezende

História de Nincandro

 

Nincandro é outro ser de uma antiga lenda das terras mágicas. Diz a lenda que quando os reinos começaram a surgir, algumas civilizações não aderiram a nenhum deles e formaram tribos nativas em diversas regiões, antes, despovoadas e desconhecidas.

Nincandro era o líder da maior delas e fora aliado ao Escolhido e a Corydon durante toda sua existência. A tribo de Nincandro não se envolvia em guerras alheias e nem fazia guerras por interesses pessoais. Elas apenas viviam pacíficos em suas terras e quando atacados, defendiam-se.  Até o dia em que os bruxos de magia negra decidiram atacar a tribo por surgirem boatos que Nincandro possuía a magia necessária para enfrentar o mal, logo ele se tornava uma ameaça.

Os bruxos invadiram a tribo inesperadamente, antes que Nincandro pudesse pedir ajuda a Corydon, e colocaram fogo nas cabanas, matavam mulheres e crianças sem piedade. Os homens, liderados por Nincandro que de fato sabia usar magia, lutaram bravamente contra os bruxos. A batalha durou três dias e três noites. Metade da tribo já havia sido morta e Nincandro conseguiu fazer com que a outra metade se refugiasse nas cavernas. Ele e os soldados que restavam defendiam a abertura da caverna. Não deixariam que mais ninguém morresse. Então os bruxos apareceram em massa, e o líder tinha como reféns os 2 melhores amigos de Nincandro que ficou sem reação. Os bruxos mandaram Nincandro se render se não os amigos morreriam. Os amigos imploraram para o líder não ouvir os bruxos, que tudo era mentira, falavam que ele não deveria se render, mas ele não conseguiu abrir mão dos amigos. Então soltou suas armas e como os amigos haviam dito, tudo era mentira. Eles não iriam apenas matar Nincandro, mas mataram também os amigos e toda a população escondida nas cavernas, extinguindo aquela raça de nativos. Desde então o espírito mágico de Nincandro, atormentado pelas escolhas erradas que fez, vaga pelo mundo mágico tentando se redimir de alguma forma.

 

Lembranças

 

“ Os bruxos das trevas riam enquanto colocavam facas em torno do pescoço dos amigos de Nincandro. Estes imploravam para o líder não se render.

 

NICE –Nincandro, eles estão mentindo. Vão matar todos. Não os ouça.

NICÉFERO – Lute até o fim. Somos apenas dois. Mas seu povo … São centenas. Precisam de você. Fazer sacrifício na hora certa, você que me ensinou isso!

NINCANDRO – Eu… não posso abandonar você… Não posso.

NICE –Nincandro. Não seja tolo e egoísta. Você é um líder respeitado, proteja-os, eles confiam em você.

NINCANDRO – Perdoem-me. Larguem eles, eu me rendo.

 

Então Nincandro largou seu cajado mágico e imediatamente os bruxos lançaram suas magias matando-o e cortaram as gargantas de seus amigos. Logo depois caminharam para as cavernas onde se ouvia os gritos das mulheres e crianças prestes a morrer. ”

 

***

Óbulo

Ator: William Andhel

História de Óbulo

 

Servo do reino de Crisóstomo e conselheiro da Princesa Calista, Óbulo é a pessoa em que a família real mais confia. Responsável por administrar a agenda do rei Adamastor e dar conselhos à Calista. Óbulo é corcunda, quase nunca mostra o rosto mas defende fortemente aqueles que gosta. Possui um passado sombrio e que poucos tem conhecimento. Nascera em uma tribo nativa fora das terras dos reinos. A tribo era bastante exigente quantos aos meninos que nasciam e quando Óbulo nasceu, perceberam que ele possuía deficiência na coluna e que nunca poderia tornar-se um guerreiro qualificado para proteger sua tribo, logo, fora levado para uma floresta nos arredores de Crisóstomo e deixado ali para que algum animal selvagem o consumisse. Fora resgatado pelo rei Adamastor e pela rainha Laila que cavalgavam e acharam o pobre bebê, levaram-no para Crisóstomo e foi criado pelos outros servos do reino até que tivesse idade suficiente para começar a trabalhar no palácio.

 

Lembranças

Adamastor e Laila cavalgavam até que Laila escutara o choro de um bebê.

LAILA – Você escutou isso?

ADAMASTOR – O quê?

LAILA – Um choro…

ADAMASTOR – Deve estar imaginando. Ansiedade para nosso primeiro filho nascer logo.

LAILA – Ou filha …. Mas tenho certeza que não estava imaginando. Escutou? Parece vir dali.

 

Então o jovem casal foi até a floresta e encontrou o pequeno Óbulo em um pedaço de pano sujo e um urso caminhava em sua direção. Adamastor desembainhou a espada e espantou o urso de perto da criança enquanto Laila correu e pegou-o. Quando o urso fora embora Adamastor uniu-se a rainha para ver o menino.

 

LAILA- Tadinho, está tão magro …

ADAMASTOR – Olhe só para ele Laila, está doente e não é perfeito. Fora deixado para morrer. É melhor que deixemos ele aqui.

LAILA – Está louco? Ainda assim ele é um ser vivo, ele tem direito de viver…

ADAMASTOR – Mas Laila, não podemos …

LAILA – Por favor Adamastor, vamos levá-lo e deixa-lo aos cuidados dos outros criados.

ADAMASTOR – Que seja então. Como quiser, minha rainha.

LAILA – Ele se chamará Óbulo e um dia será o conselheiro da próxima geração.

 

***

 

Relinde

Ator: Victor Garcia

História de Relinde

 

Regente do reino de Corydon, pai de Eleuthére, costumava ser o melhor amigo de Faón na juventude. Até o dia que soube que sua esposa, Diana, cometera um grave crime, e esta seria condenada. Começara a nutrir certo ódio por Faón a partir desse momento. Viu em seu filho a chance de passar por cima de todas as angústias. Costumava cuidar do jovem príncipe Klaus, depois passou a desejar o pior para o mesmo. Queria ver seu filho no trono. Queria ver seu sangue se tornando nobre acima de todos os outros.

 

Lembranças

“ Relinde e Faón brincavam com espadas de madeiras, treinando esgrima. Ambos riam um do outro, era tarde, o sol se punha. Faón acabara por derrubar Relinde na grama. Este sorriu e estendeu a mão levantando o amigo. Relinde apoiou-se no ombro de Faón e juntos deixaram o campo de treinamento rindo. ”

“ O regente recebera a notícia que sua amada havia cometido traição contra a família real, ao trocar informações com o reino inimigo de Ítaca, ajudando o inimigo a ultrapassar as fronteiras de Corydon. Os guardas vieram e pegaram-na. O rei Faón estava com os guardas, com uma expressão de dor no rosto. No fundo, Relinde sabia que se o rei não punisse a mulher, uma revolução estouraria no reino, mas no fundo também acreditava que era mais importante que o resto do reino. Faón olhou fixamente em seus olhos e sussurrou:

Faón– Desculpe-me.

E ordenou que levassem a mulher. Relinde abaixou a cabeça, e jurou um dia vingar-se. Porém, depois daquilo, fingiu aceitar o destino e comportava-se normalmente com Faón, no entanto, descontava seu ódio no príncipe. ”

 

“ Relinde e Eleuthére encontravam-se no quarto:

Eleuthére –  Pai, o Klaus vai acordar não é mesmo?

Relinde – O que você acha de Calista meu filho?

Eleuthére –  Por que a pergunta?

Relinde – E se você se cassasse com ela? Se você se tornasse rei de Corydon?

Eleuthére – Do que está falando?

Relinde – Nada Eleuthére, vá cumprir suas obrigações.”

 

***

Aparentemente essa lenda se manterá viva por muito tempo, e se depender de nós quem sabe vira um novo “Conto de Fadas” de um universo paralelo?

Por Rafael Marques

 

 

About Rafael Victor

  • Miguel Tescaro Fagundes

    ISSO É MUITO ESCLARECEDOR!