“Todo mundo é um universo” – Grupo Kazemunus – Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil

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Foto: @grupokazemunus

Antes de começar, ouça alguns integrantes do Grupo contando sobre a experiência.

Na noite desta terça-feira, foi a vez do Grupo Kazemunus, formado por alunos do Ensino Médio do Colégio Arbos de São Caetano se apresentar no Festival. É a primeira vez que a escola tem um grupo formado por alunos do Ensino Médio. Lembro de ter conhecido alguns deles, quando ainda faziam parte do grupo do Ensino Fundamental, durante a apresentação de “Bailei na Curva”. Depois disso, ainda tive a grata surpresa de ter Iuri, um dos integrantes do grupo, como parte do elenco de “Torto”, espetáculo de 10 anos grupo que eu dirijo. Já havia visto algumas fotos do espetáculo no Instagram e fiquei bastante curioso, eu já tinha deixado um comentário para eles dizendo que eu achava que o espetáculo seria a coisa mais linda. Querem saber se minha impressão se confirmou? Acompanhe a leitura do texto de pari logo após a apresentação, de quase duas horas.

Isso não é uma crítica…

…é a expressão de um forte desejo de conexão.

Definitivamente isso não é uma crítica. Afinal, quem sou eu? Confesso que estou um bocado desorientado. Sabe aquele meme clássico “Não sei dizer, só sei sentir…”. Não é isso também. Porque não sei o que estou sentindo, se estou sentindo, se estou aqui. Sei que passei por um ônibus, por um metrô, por uma loja, pela casa de uma menina-alienígena.

Foram duas horas de conexão, de mergulho numa alma, num mundo… não… mundo não… universo… universo não… universos de possibilidades, possibilidades e escolhas. Aliás, o que escolher quando se pode tudo? Pois o Grupo Kazemunus é tão capaz e potente e diverso e bonito e tudo o que for possível, que as escolhas acabam sendo feitas em profusão. Quase tudo o grupo escolhe e nada rejeita em sua ânsia de criar. Projeta, cria, combina, recombina e costura lindamente em palavra, movimento, som luz, sombra e cor numa explosão de sentidos.

E olha, digo novamente. Isso não é, não é uma crítica não. A beleza do espetáculo é essa. Maratonei “Todo mundo é um universo” na noite de hoje. Sim, porque me parece, e isso é um baita de um elogio, uma série adolescente do Netflix. Mas não é uma cópia, é uma recriação teatral de um gênero da cultura pop. Cada visita e um personagem é um capítulo muito bem saboreado, curtido e na Season Finale, um banho de tintas num pano, que transborda para o palco, assim como o universo criativo dessa turma, que não cabe dentro deles.

Nathalia e as pessoas que encontra, se encontra não só com personagens e com si própria, mas com meu espetáculo atual do Grupo Brinquedo Torto, se encontra comigo mesmo também. E encontrando Nathalia, as histórias, o grupo, o trabalho primoroso de escuta da Diretora Denise, grande amiga que deu voz ao trabalho dos integrantes e conseguiu organizar todo este material numa estrutura cativante, eu fico com vontade de estar mais perto dessa turma. Saio daqui hoje com mil perguntas e mil desejos. Mas uma pergunta foi respondia ao longo deste texto. Aquela perguntinha que me pegou lá no começo, já que fiquei meio atordoado. Acho que já sei quem sou. Sou também um universo. Obrigado pelo encontro desta noite e por terem me lembrado disso. Vocês são realmente muito especiais.

Foto: @grupokazemunus

Não saia deste post sem ouvir os comentários de Joelma, Geovana e Carol que assim como eu, assistiram ao espetáculo.

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.