“Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me” – Escola da Vila

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Desde as primeiras edições do Festival, venho querendo conhecer o trabalho da Escola da Vila, mas o horário nunca bateu com o meu. Finalmente, este ano aconteceu da apresentação estar numa data favorável. E lá fui eu para, enfim, conhecer o trabalho da galera.

Escola da Vila – São Paulo – SP

Grupo de Teatro da Escola da Vila


Espetáculo:
Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me, de Pablo Fidalgo Lareo.

Sinopse:
Esta noite algo feito com palavras/ Vai mudar a tua ideia do medo/ Olha-me e pergunta-se se sei o que faço/ Se sei o que toco/ Se sei o risco que assumo.

Tempo de duração:
50 min.

Classificação etária:
Livre

Elenco:
Rodrigo Grosbaum, João Pedro Jabor, João Pedro Dubau, Rafael Tomanari, Fernando Greco, Carolina Alayon, Gabriela Janninni, Rafaela Serpico, Marina Yazbek, Sabrina Cardoso, Julia Padovan, Carlos Navas, Giulia Valadares, Giulia Bragaglia, Zoe Rozembaum, Daniel Rocha, Laura Barcellos, Gabriel Carvalho, Gabriel Rosa, Isadora Falconi, Luma Santos de Oliveira Flora Sakata, Karen Werebe, Olívia Ferraz,  Luara Macari, Luiza Hastings, Lira Siqueira, Luiza Kehdi, Letícia Pedroso, Lia Morena Leirias.

Ficha técnica:
Direção: Tuna Serzedello. Assistência de direção: Luíza Zaidan. Figurino, cenografia, sonoplastia e iluminação: Grupo de teatro da Escola da Vila.

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Isso não é uma crítica

(É um exercício de imaginação)

Perguntas nos movem, nos tiram no cômodo, nos fazem pensar. Quem nunca foi arrebatado por uma pergunta inesperada? Quem nunca fez uma pergunta incômoda?

Um texto cheio de perguntas e afirmações fortes. Um elenco grande, sapatos no chão desenhavam cenas. Figurinos que lembram “heróis do apocalipse”, como disse Dudu Oliveira. Coro que se move no palco e na plateia. Tudo para nos provocar, nos instigar, nos tirar do confortável. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo dentro e fora de mim. Isso foi a peça:desconstrução.

Mas o espetáculo de fato aconteceu quando os alunos da Escola da Vila sentaram no palco e começaram a falar sobre o texto, a proposta, fazer reflexões sobre a importância daquilo que faziam, o impacto do teatro, do texto em suas vidas e tantas outras coisas quanto o desejo adolescente e a efervescência da idade pode abarcar. Aquilo foi lindo, foi heroico,  digno de ovação. A cada aluno que erguia a mão e começava a falar, emergia um resultado de uma educação libertadora, crítica, apaixonante. Eu ficaria horas, talvez virasse a noite naquele bate-papo. Fiquei com vontade de vê-los em cena dizendo aquele texto autoral, improvisado e cheio de verdade dentro de uma estrutura teatral. Tive o desejo de pedir para que começassem “tudo de novo”, esquecendo o texto catalão  e usando suas próprias palavras. E até agora fico imaginando o impacto das perguntas daquelas mentes inquietas seriam capazes de proferir. Esses meninos são frutos de uma educação que permite que eles pensem. Parabéns Escola da Vila. Este tipo de educação é UM ESPETÁCULO.

Duvida do que eu disse? Então ouça Luara e Giulia, duas atrizes do grupos.

Depois, Izabelle, Leandro e Dudu comentaram sobre o espetáculo.

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.