Projeto Potência acompanhando o Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil – Espetáculo “Fragmentos da Aurora da Minha Vida”

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Mais uma noite de Festival. Em virtude do cansaço de trabalhar o dia inteiro e a dedicação que esta cobertura exigiu de mim, pensei seriamente em não ir. Mas algo de muito grave aconteceu com relação à apresentação que ocorreria no período da tarde. Para saber sobre o ocorrido, clique aqui. Fui para lá a fim de dar um abraço e oferecer apoio a uma colega, mas acabei saindo em êxtase e de alma lavada pelo que vi. Tão mexido estava que me esqueci de pedir a alguém que fizesse o depoimento em áudio. Fica já o meu pedido de desculpas. Prometo caprichar na crônica. 

Escola Villare – São Caetano do Sul –SP
Grupo de Teatro Villare.
Direção – Elaine Cristina Ferreira.
Fragmentos da Aurora da Minha Vida
Texto – Naum Alves de Souza.
Seleção de cenas da peça “Aurora da Minha Vida”. A obra retrata o cotidiano da escola tradicional com humor e muita sensibilidade.
04 de outubro (sexta-feira) | 20h | 60 min. | Teatro Santos Dumont
Isso não é uma crítica
(É um afago, um abraço, um carinho em Elaine)
Turma grande, escola, um atrás do outro. Uma educação tradicional cartesiana colocada no palco. Pequenas violências, atrocidades ou grandes maldades. Tudo praticamente estático como dantes no Quartel de Abrantes. Alguma coisa mudou? Quanto mudou?
A qualidade e o apuro técnico do trabalho impressionam. Tão impressionante quanto isso, é pensar que nem tudo é assim tão diferente. Talvez os tons mudaram, não há mais palmatória, a física. Mas o quão violento tem sido a pressão pelos resultados, notas, condutas, Enem´s, Fuvest´s e Unicamp´s? Não quero aqui desvalorizar a luta por uma boa posição no mundo Universitário e Profissional. Mas a super valorização da questão é também tão violenta quanto a palmatória. A exposição dos alunos aprovados na porta das escolas como troféus, o desrespeito aos alunos que possuem outras inteligências, ou aos que por inúmeros motivos, não conseguem boas notas. Uma escola assim, violenta em todos os aspectos, seja no passado ou no presente, realmente não trará saudade da “Aurora de minha vida”. E há, claro, escolas boas, mais humanas, que valorizam o ser humano e a arte, muito diferentes de algumas que vemos por aí. Mas a estética estática apresentada reflete e discute questões relevantes.  Há educadores relevantes. Há várias Elaines, uma ou mais em cada escola. Pude encontrar algumas neste Festival e com elas espero permanecer em diálogo.
O trabalho apresentado é claramente reflexo da diretora e educadora que o conduz. A potência do trabalho coletivo e o individual que num rompante salta, se levanta e arrebata a plateia e conduz à gargalhada. A beleza da inclusão verdadeira e genuína. Nessa eu acredito. Não naquela que deixa ali, de canto, sem apoio nem auxílio ao aluno e ao profissional. É de encher os olhos  a brincadeira despojada em cena, a alegria genuína, a beleza de gente que se curte no palco. Educação, cultura, arte da maior qualidade. Tudo isso me encanta muito mais que alguns trabalhos profissionais. Me enche de alegria, faz meu coração festejar.
E durante este momento de festa, de nascimento de um novo trabalho, o luto, o desespero e a indignação da educadora e de nós educadores, que acompanhamos de longe a violência feita com a colega Elaine, que desenvolveu um trabalho também com o alunos de outra escola e que no dia, pouco antes do combinado, tudo foi jogado no lixo por gente que fica atrás de mesas e se julga educador. Gente que frustra 90 expectativas e noites mal dormidas com a frieza de um assassino. Deixemos a educadora, adulta e vacinada de lado, pois ela superará mais essa, mas pensemos nas crianças: Como ficarão suas lembranças? Como será esta experiência marcada no futuro? Quantas possibilidades de transformação foram tolhidas, arrancadas e ceifadas da vida de meninos e meninas que não tiveram a oportunidade dos alunos do Colégio Villare, da Aurora da Minha Vida?

 

Aurora representa muito. O esforço da educadora Elaine, exemplo de profissional; o desejo de uma escola mais justa, mais cheia de arte, mais divertida; a alegria de subir no palco e falar daquilo que se vive todos os dias em várias escolas e a esperança de que um dia as coisas mudem. Confesso que saí de casa cansado, cogitei não ir, mas ver esses meninos no palco de certa forma lavou minha alma porque eles representaram a escola retrógrada que ainda vive nas mentes de nas ações de pessoas como a responsável por todo o ocorrido. Para mim, gente sem alma que nem merece ser chamada de diretora, professora ou o que quer que seja.
Elaine é Potência!
Vivare é Potência!
Aurora é Potência! Potência! Potência!


VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.