O CAMINHO DO SAMURAI

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Apesar do termo escolhido: “caminho”, possa parecer uma rota sem fim, ou ainda, um “caminho sem volta”, a ideia não é esta. Os artistas da cena seguem um caminho só, o SEU CAMINHO, se este caminho por vezes parece ser o do Samurai, ou o da Gueixa, é apenas um trecho, o importante é onde o ator pousa seu olhar enquanto segue a caminhar.

Mas vamos falar um pouco mais sobre o Caminho do Samurai. Como foi dito antes, os samurais devotavam sua vida e seus esforços para um mestre, e é neste mestre que eu quero que você pouse os seus olhos agora.

Costumo dizer que o Caminho do Samurai é o caminho do “de-dentro-para-fora” ou seja, que ele trata dos assuntos internos que reverberam pelo exterior do ator; mas esta explicação não é suficiente, faltam termos, contextos, exemplos… Então para retirar um pouco esse véu de mistério (“revelar” vem de “retirar o véu”)… vamos tentar uma outra coisa:

Quem é o mestre? Quem é, e onde se encontra o alvo do olhar, dos esforços, e da vida do ator-samurai?

Quando o ator decide praticar um exercício, um treinamento, ou ainda vivenciar uma estética diferente, aprender e se apresentar num formato que não está acostumado, ou apenas repetir sua rotina pessoal na busca uma técnica própria, ele está vivendo no Caminho do Samurai.

Nestas situações, onde seus esforços são íntimos e internos, mesmo que os resultados sejam visíveis, e aparentam ser apenas externos; onde está o mestre? Onde está o foco original dessa decisão, dessa maneira de trabalhar? Está dentro do ator. O mestre do ator-samurai é ele mesmo. Ele é o seu próprio objetivo. A ele serve, a ele devota sua atenção: a si mesmo.

Existem atores que permanecem, ou que permaneceram neste caminho, a vida toda. E não há nada de errado com isso. Alguns trafegam constantemente por entre os caminhos, e vivenciam alguns momentos de “treino samurai”, e também não há nada de errado com isso. Existem outros que parecem nunca pisar neste chão, que vivem constantemente pelo caminho da Gueixa. E sobre isso, também não há nada de errado.

O que há de errado é quando um samurai serve a um mestre ruim. E como já foi dito: “não existem atores ruins, ou se é ator ou não”. Não pode existir mestres ruins, porque mestres ruins não possuem samurais. Não se preocupe com isso agora. Apenas se esforce para ser o melhor samurai possível para seu mestre. E seja o melhor mestre possível para seu samurai.

 

Semana que vem, irei apresentar uma das “trilhas” que percorrem os atores samurais.

Espero por você aqui.

About Ronaldo Ventura
Ronaldo Ventura é um milionário excêntrico que as noites veste uma fantasia de homem morcego e combate o crime. De dia, ele dirige espetáculos e escreve peças. conheça seu trabalho em www.ronaldoventura.com