Mostra Santo de Casa #01 – O Lado Invisível

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Acho que é a primeira visita de muitos a este site e à esta proposta. Desta forma, segue uma breve apresentação dela. “Isto não é uma crítica” é uma sessão de resenhas que criei neste blog em 2013 para fazer a cobertura do Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil. Ou seja: esta sessão destina-se apenas a espetáculos de Teatro Estudantil. Para outros espetáculos, utilizo outra coluna chamada Impressões. E qual a diferença entre elas? Apenas que em “Isto não é uma crítica”, busco observar o espetáculo como professor e traçar um Raio-X do grupo, buscando reconhecer elementos constituintes do processo pedagógico que permeia o trabalho. Escrever para grupos como o meu, cujas dores e delícias eu bem conheço, é uma atividade que me traz muito prazer e muito aprendizado. 

Saí hoje de casa em direção ao Teatro Elis Regina para acompanhar dois espetáculos da “Mostra Santo de Casa”, o mês mais teatral da história de São Bernardo do Campo, como costuma dizer meu amigo Ronaldo Ventura, parceiro de arte, padrinho do Grupo Brinquedo Torto e organizador da Mostra. Quando descobri que o grupo era formado por adolescentes, interessei-me de cara, fiquei curioso. E a curiosidade transformou-se em alegria, pela oportunidade de conhecer a Cia Aborrecente de Teatro, com o espetáculo O Lado Invisível, que começo a apresentar pela ficha técnica a partir de agora:

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Fonte: Página da Cia Aborrecente no Facebook

Lado Invisivel – Cia Aborrecente de Teatro.

Sinopse: Cinco jovens atores realizam essa intervenção cênica em que se revelam as frustrações que determinaram a vida de moradores de rua. Fica a questão: quando ignoramos a presença de um mendigo, paramos para pensar que ele pode ter os mesmos sonhos que nós?

Elenco: Adriel Travassos, Aline Martins, Ana Jaqueline Braz, Anáthaly Kleina e Paulo Almeida.

Direção: Gabi Costa

Dramaturgia: Cia Aborrecente de Teatro

Encenação: Gabi Costa e Cia Aborrecente de Teatro

ISSO NÃO É UMA CRÍTICA (É UM CONVITE PARA UM PAPO)

Esqueça o Teatro, o edifício onde se costuma acontecer a cena. A peça-intervenção acontece do lado de fora, onde a vida também acontece. Impressa a marca da diretora/encenadora, que transfere a sua pedagogia alguns traços de sua vivência artística. É lindo ver esse teatro-provocação, que nela ecoou forte e agora ecoa em seus cinco alunos-atores.

“Uma linha nos divide”, adverte a atriz. Linha que nos mostra o lado invisível. Moradores de rua, gente que preferimos não ver. Tão diferentes de nós. Tão diferentes? Cheios de sonhos, desejos genuínos, que por esse ou aquele motivo, não saem do plano da ideia. Já que a vida “é uma pedra áspera”. Minha mente divaga e já vejo o grupo em processo. Fico curioso: “O que os motivou? Quantas reflexões o tema não os trouxe? Quanta transformação o trabalho não promoveu?. Esses meninos precisaram cruzar a linha para refletir sobre uma realidade que não é deles. Como será essa volta? Qual o impacto de um trabalho deste no resto de suas vidas?

Essa gente também sonha, repete e martela o espetáculo. Pena é que este sonho seja visto como menor. Pena é que muitos desses sonhos não romperão limite da linha que nos divide. Bom é, contudo, que exista quem ainda se preocupe, que reflita, que nos tire o véu, quem se debruce a pensar sobre isso. Melhor ainda quando é gente jovem e boa, na mão de diretora jovem e excelente.

Finda o espetáculo. O último ator, ao ir embora, leva a linha que demarcava o espaço. Assim, tenho certeza, cada garoto levará consigo a linha. Eu a levo cá comigo para refletir e os agradeço por isso. Desejo agora romper outra linha que nos divide: a do artista e do público. Quero tanto conhece-los, saber mais sobre este trabalho, sobre a história do grupo e suas aspirações futuras. Quero tanto falar sobre cada personagem meu que, de certa forma, vi retratado por vocês em cena. Tenho tanta coisa para perguntar e para dizer. Como disse, isso não é uma crítica. É um convite para um papo. É só marcar que eu tô facinho.

Onde? Quando?

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Fonte: Página da Cia Aborrecente no Facebook

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.