Manifesto

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Manifesto pela Potência do Teatro Estudantil

Nossa arte parte das ativas mentes de jovens inquietos, perambula pelos corredores, pulula dentro das classes, se alimenta da efervescência dos recreios e intervalos; vem de corações revolucionários por natureza, contestadores, intensos e apaixonados. E é na escola que se trabalha. Na escola, ou qualquer ambiente destinado à prática pedagógica. Sim, é neste terreno fértil, neste espaço de construção do sujeito e do ser social que plantamos sementes de uma educação dos sentidos e das emoções. Uma educação estética, não estática.

Não aceitamos a ideia de que fazemos arte de menor valor; de que nossos trabalhos, criados com tanto afinco sejam encarados como apenas trabalhos de escola; não fazemos teatrinho. Trabalhamos sério e se o apuro técnico não é como o dos ditos profissionais, muito temos a ensiná-los. Pois a cada dia de trabalho, de ensaio, e a cada encontro com o público, sentimos a magia por muitas vezes esquecida, a pureza dos primeiros momentos, que deve ser sempre resgatada e que nos faz verdadeiros artistas, capazes de tocar pessoas, promover reflexões e transformações nos seres e, por conseguinte, na sociedade.

Cremos num teatro que comece muito antes do espetáculo e que ecoe pela vida do público que nos assiste e do elenco que se apresenta, cuja responsabilidade com a mensagem é sempre grande. Acreditamos na disciplina e na rotina de trabalho, na busca da qualidade técnica e da excelência, que nada mais é do que aquilo que pudermos de melhor fazer, considerando os recursos técnicos, o conhecimento de que dispomos e o estágio de aprendizagem em que cada aluno-ator se encontra.

Deixamos o espaço livre para a criação, para a cooperação, para a criação e construção coletiva, lembrando sempre de que até o rio precisa de margens para chegar ao seu destino. De modo que comando, liderança e limites também são atos de amor. A liberdade criadora, o pensamento aberto e crítico, a discordância, a colocação de ideias são sempre bem vindas, desde que respeitando-se sempre o valor, a importância e o bem estar do coletivo. Um teatro onde acima de tudo se respeite o ser humano em cada ensaio e que cada aplauso reflita o cuidado com cada membro de cada grupo, independente de sua função, idade, etnia e demais individualidades.

Visamos sempre a partilha, a troca, o crescimento através do olhar generoso para a obra do outro. Fomentamos de forma fervorosa a criação de vínculos artísticos, que possam evidenciar e fortalecer características próprias e ao mesmo tempo, provocar um crescimento em conjunto, que só se pode desenvolver pela arte que se distancie da competitividade e da comparação através de juízo de valor, carregada de julgamentos de bom ou ruim, melhor ou pior.

Lutamos pelo reconhecimento do teatro como elemento tão importante quanto qualquer disciplina escolar, embora optativa e, por isso mesmo, levada com tanta paixão e seriedade pelos que a escolheram; por políticas públicas que auxiliem, alimentem e apoiem a produção estudantil, encarando-a como importante veículo de construção de saberes, desenvolvimento de competências, habilidades, formação de público e criação de novos profissionais. Sim, profissionais, seja na arte dos palcos, das ruas ou das escolas.

E que o trabalho que realizamos, em conjunto, possa sempre gerar grande quantidade de energia, a qual carinhosamente chamamos Potência, por acreditar no impacto futuro de tudo aquilo que temos feito, e que um dia, mesmo que não o vejamos, florescerá, como semente plantada no processo pedagógico e florescida nas vidas pelas quais passamos.

 Rafael Soares, Rony Morais, Roberta Conde, Varlei Xavier

Grupo Acalanto, Grupo Brinquedo Torto, Grupo Cênico Tatu Bola,  Grupo de Teatro Colibri, Trup´iê

Pará de Minas, 11 de Novembro de 2015.