INTELIGÊNCIA LINGUISTICA ou VERBAL

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A inteligência “da palavra” pode parecer limitada apenas ao fato de saber transformar conceitos em símbolos gráficos: escrever; e de saber reconhecer aqueles símbolos de acordo aos conceitos culturais individuais: ler. Mas é algo maior que isso.

As palavras escritas, ou faladas, podem nos afetar permanentemente; podem nos emocionar, nos instruir, nos inspirar, afetar nossa memória, nossa imaginação… elas nos transformam, e nos constroem. São instrumentos altamente poderosos, essas tais “palavras”. E o domínio dessa inteligência envolve diversos aspectos:

*Fonologia – que diz respeito aos aspectos sonoros da língua;

*Sintaxe – que envolve a estrutura do discurso, com o encadeamento lógico de pensamentos transformados em palavras;

*Semântica – que trata dos significados que cada palavra, das possibilidades de interpretação que cada sentença permite;

*Pragmática – quando utilizamos as palavras para se alcançar um objetivo prático: seja convencer, seduzir, ensinar, estimular, entre outras possibilidades.

A inteligência linguística também diz respeito aquele discurso interno, o Self-talk, aquela voz que você tem quando conversa consigo mesmo. “que voz?” – essa mesma que perguntou “que voz” aí na sua cabeça. Uma pessoa que não estimula essa inteligência não é capaz de compreender alguns de seus próprios erros de julgamento, porque sua voz interna não consegue processar logicamente algumas falhas e discordâncias entre ações e discursos. Vide essa onda de ódio generalizado que está se propagando pela internet, com ênfase no Facebook, que não possui fundamento, apenas manifestação e manipulação óbvia – mas o “óbvio” só é óbvio para quem não ignora sua própria ignorância.

Perceba então que esta inteligência age em diversos âmbitos: Com a nossa relação com a palavra escrita (por nós e por outros), com nossa relação com a palavra falada (por nós e pelos outros), e nossa relação com a palavra que não se manifesta materialmente (aquilo que lembramos, criamos, imaginamos, e sentimos).

Toda mensagem dita carrega consigo 04 elementos, 04 possibilidades de informação: Conteúdo, Revelação, Relação e Apelo. Quando estamos em situação cotidiana é a Inteligência Linguística que mede e reconhece esses componentes da fala; pois espera-se um diálogo. Quando falamos com alguém, se espera um feedback, por isso essa nossa inteligência precisa estar bem calibrada para que possa medir a quantidade de informação que queremos transmitir, como a que queremos, ou que precisamos, receber.

Mas, quando estamos em cena, não se espera, necessariamente, um diálogo. Neste caso, essa nossa inteligência é aplicada para se alcançar outra coisa:

Vamos imaginar que o ator em cena possua várias “bocas”, vários emissores de informação: a “boca” plástica, que expressa com seu figurino, maquiagem, cabelo…; a “boca” corporal, que é a expressividade física do corpo, com seus gestos, posturas, posição dos olhos…; e a “boca” boca mesmo, aquela que literalmente fala, que emite sons, aquela que transmite o resultado, a consequência do uso da inteligência verbal; ok?

E quem irá receber essas mensagens? O espectador, claro.

Neste caso, a plateia possui então dois “olhos”: o “olho que vê” e o “olho da mente”; um que recebe todas essas informações, e outro que a decodifica; esta inteligência é voltada estritamente para o “olho da mente” do espectador. Quando nós praticamos essa inteligência em cena, nós atingimos a imaginação e o raciocínio de nosso público.

A prática e o desenvolvimento desta inteligência permite, de uma forma quase exclusiva, você alcançar o íntimo de seu espectador.

De maneira simplista, o caminho para elevarmos essa nossa inteligência seria: Leia mais, escute mais, fale mais, pense mais. Mas o melhor é fazer isso inteligentemente – ou seja, é possível que nem tudo o que você lê, escuta, fala, ou pensa, seja algo inteligente.

Se você aceitar uma sugestão, antes de refletir sobre suas próprias obviedades e ignorâncias, faça alguns desses exercícios:

*Brinque de advogado: desenvolva com a mesma qualidade, uma mesma quantidade de argumentos a favor e contra sobre um assunto polêmico.
*Brinque com jogos de palavras.
*Ensine alguém a ler.
*Aumente o número de livros que lê por mês. Coloque clássicos da literatura na sua lista de livros.
*Decore uma poesia.
*Invente uma piada.
*Tente imaginar o som das vozes de diversas pessoas que você já conheceu lendo a mesma notícia de um jornal.
*Tente perceber os diferentes nuances na voz de um(a) cantor(a) profissional quando ele(a) fala e quando canta.
*Ouça discursos na sua língua, numa língua estrangeira que você domina, e numa língua que você ignora.
*Aprenda uma palavra nova todo dia, em qualquer língua.

Está gostando de descobrir essas suas inteligências? Semana que vem te apresento outra.

About Ronaldo Ventura
Ronaldo Ventura é um milionário excêntrico que as noites veste uma fantasia de homem morcego e combate o crime. De dia, ele dirige espetáculos e escreve peças. conheça seu trabalho em www.ronaldoventura.com