INTELIGÊNCIA EXISTENCIAL

Posted on Posted in Reflexões, Ronaldo Ventura

Quando Howard Gardner apresentou sua teoria das Inteligências Múltiplas, ele ainda não considerava essa capacidade humana de reconhecer sua própria pequenez e sua própria grandiosidade como “inteligência”, e não é difícil entender o porquê.

Esta inteligência se refere às questões definitivas: “Qual o sentido da vida?”, “O que é ‘morrer’?”, “Porque existe o mal?”… E o fato de que grandes personalidades inteligentes existencialmente serem homens religiosos, ajuda muito confundir “a busca pela Verdade” com “criação de Dogmas”.

Então, a primeira coisa necessária a entender aqui é: Inteligência Existencial NÃO é religião!

Se trata do SEU contato com o divino, com o universo, com as questões filosóficas da existência. Religião é a maneira que OUTRA pessoa encontrou para buscar as respostas. Você pode aceita-la ou não, segui-la ou não. Isso não te faz mais inteligente, ou mais correto, do que qualquer outra pessoa. Não existe “religião certa”, como não existe “resposta correta e definitiva” quando se trata desse assunto.

Ter experiências existenciais é algo muito comum para crianças, mas como não conseguem dialogar com adultos – ou por falta de tempo, ou interesse, ou capacidade de compreender, por parte destes – acabam esquecendo, ou suprimindo, até encontrar alguém que permita dar vazão (e sentido) aos sentimentos e sensações vividos; e quando isso acontece, cria-se uma relação de guru e discípulo; ou em situações negativas, cria-se um fanático fundamentalista.

Lembre-se: Inteligência não tem fim. Não existe um limite para o saber. E quando estamos falando sobre questões tão profundas, só podemos afirmar que se alguém garante ter encontrado a “verdade absoluta”, essa pessoa está errada.

A Inteligência Existencial diz respeito a ter consciência de nossa posição no cosmo; nossos limites, da nossa relação com as maiores e menores grandezas do universo. E, além disso, também ter a ver com o vivenciar (reconhecer a si mesmo antes, durante e depois) as experiências que modificam o Ser, tais como o Amor e a Arte.

Existem pessoas que vivem relações amorosas abusivas, e existem pessoas que não se encantam com “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” ou com “Coppélia”, ou com Bach, e tudo isso não são apenas motivos de lamentos, também é não ser inteligente.

Esse tema é tão profundo e pessoal, que perceba que passei a maior parte do tempo tentando explicar o que essa inteligência NÃO é, ao invés de tentar defini-la, porque encontrar o seu caminho – a sua “plataforma de lançamento para o infinito” (não é uma frase do Buzz Litghyear, mas de Ram Dass), faz parte do seu processo de crescimento. A busca de si, em si mesma, já é um ato inteligente. Isso já muda o mundo inteiro.

Sugestões:

*Leia mais de um Livro Sagrado, e não busque o confronto. Leia Bíblia Sagrada e o Bhagavad Gita; o Alcorão e o Tao Te Ching; e reflita.
*Faça uma lista de 10 filmes que o tema seja as grandes questões da vida.
*Respire. Apenas isso. E perceba.
*Busque o que há de grandioso nas menores coisas; e a pequenez nas maiores coisas.

Volte semana que vem – mudaremos de assunto. 😉

About Ronaldo Ventura
Ronaldo Ventura é um milionário excêntrico que as noites veste uma fantasia de homem morcego e combate o crime. De dia, ele dirige espetáculos e escreve peças. conheça seu trabalho em www.ronaldoventura.com

  • Izabelle Araújo Battestin

    Ronaldo, você me inspira! Adoro textos/livros/filmes que discutem ou apontam sobre coisas relacionadas ao próprio Eu ou seu objetivo e porquê no mundo. Mas o que me intriga é o fato de, muitas vezes, não encontrar resposta alguma e ainda formular mais dúvidas na minha cabeça. Às vezes, eu acho que o segredo está em apenas perguntar, sem precisar responder. É curioso isso, é natural nosso esse negócio de querer saber mais e não se contentar com pouco. Quando a satisfação só vem depois que o próprio ser dita que está concluído…