INTELIGÊNCIA ESPACIAL.

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Possivelmente, quando você estiver lendo esse texto essa inteligência já tenha se dividido em duas, ou mudado de nome para visuoespacial, ou algo assim.

Existe uma proposta feita por cientistas brasileiros de separar um conceito que envolve esta inteligência e considerá-lo como uma inteligência à parte, que talvez seja chamada de “Inteligência Pictórica”, que estaria relacionada com a capacidade plástica das artes e da comunicação social; e com a sensibilidade a respeito de informações visuais, tais como cores e formas.

Um dos motivos que geram essa discussão está a questão de existirem pessoas cegas, que nunca tiveram qualquer tipo de informação visual, serem capazes de perceberem, descreverem, e desenvolverem diferentes relações espaciais, trajetórias de objetos, e mapas por exemplo. Como também o fato de existirem pessoas que possuem hipereidese – uma espécie de super visão – mas que não são capazes de relacionar sentimentos e sensações funcionais com cores e formas. Ou seja, são capazes de reconhecer rostos a quilômetros de distância, mas não conseguem reconhecer algum tom de azul como uma cor “triste”, ou “fria”; ou entender gags visuais em HQ’s.

Outros aspectos desta inteligência são: o senso de combinação x função x relação entre objetos; a fácil transposição de conceitos e sentimentos em imagens; a facilidade de criação e manipulação imagética, tanto de forma mental como material.

Mas existe um aspecto que interessa mais aos artistas da cena: o conhecimento do espaço que seu corpo ocupa, e a relação desse corpo com o espaço ao redor:

Saber que postura adotar, em cena, para conseguir um efeito desejado; saber se a relação cor-forma de adereços, figurinos, cenários, compactuam com a intenção poética; saber alcançar resultados plásticos relevantes de forma consciente.

O primeiro gesto teatral da humanidade foi um gesto mímico; foi a primeira manifestação desta inteligência para uso representativo. Isso já deveria ser o suficiente para informar a importância de se trabalhar essa inteligência durante o seu treinamento. Essa inteligência permite que se traduza fisicamente conceitos abstratos como sentimentos, valores, e sensações; como também que se represente corporalmente fatos e crenças. Essa inteligência “fala” para o “olho que vê” do espectador.

Para ampliar seu léxico, segue algumas sugestões de exercícios:

*Crie um brasão para sua família: tente encontrar na natureza e nas cores, aquilo que simboliza os valores e a história de sua família.
*Abra um livro qualquer, encontre uma frase que tenha verbo, sentimento e objeto. Invente uma expressão facial para o verbo, um movimento corporal para o sentimento, e uma postura física que represente o objeto. Se você rir de si mesmo, já está num bom caminho.
*Aprenda um pouco de LIBRAS.
*Aprenda o significado de alguns caracteres chineses ou japoneses.
*Brinque de encontrar figuras nas nuvens, rachaduras, rochas…
*Assista filmes e preste atenção no uso da câmera, tente perceber os cortes, tomadas e edições que foram feitos.
*volte semana que vem e leia mais sobre outra inteligência  😉

About Ronaldo Ventura
Ronaldo Ventura é um milionário excêntrico que as noites veste uma fantasia de homem morcego e combate o crime. De dia, ele dirige espetáculos e escreve peças. conheça seu trabalho em www.ronaldoventura.com