Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil – Você de novo? Poética sobre um tempo de resistência

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Mais um dia de cobertura. O mais cansativo a meu ver. Afinal, Trup´iê e BQT no mesmo dia. É uma delícia, mas cansa. Estava no saguão aguardando, morrendo de sono, sonhando com minha cama, mas ao mesmo tempo desejando retribuir ao carinho do pessoal do Villare, que nos assistiu em peso nesta tarde. E lá vamos nós para a ficha técnica.



Escola Villare – SÃO CAETANO DO SUL – SP

Grupo de Teatro Villare

Espetáculo

Você de novo? Poética sobre um tempo de resistência.

Criação do grupo, baseada nas obras: “Liberdade, liberdade de Millôr Fernandes”, “À prova de povo de Consuelo de Castro”, e em diversas músicas que marcaram a história brasileira na luta contra a ditadura.


Sinopse: Um espetáculo musical que narra a saga de um grupo de estudantes que ocupa a universidade com o objetivo de ensaiar uma “peça teatral” sobre liberdade. Tudo estaria tranquilo se a “ditadura” não estivesse livre pelas ruas, mas, como ela está, o ensaio vira questão de sobrevivência e, dessa forma, vão buscar inspiração e força na arte para conseguirem sobreviver nesse tempo de incerteza.

Isso não é uma crítica
(é um discurso necessário)
Villare revisita Arena, conta e canta a Dita. A tal da Dita e sempre ela. Tão significativa e tão recorrente. E por quê? Porque é marca e ferida ainda exposta. Memória viva. Luta vencida ou não. Somos ainda filhos e ecos destes tempos. É sempre tempo de buscar e revisitar. E não é só pelos 20 centavos. Cada um tem suas razões, motivos e demandas. Quantas demandas explícitas, mas as que mais me instigam são as implícitas, aquelas que gritam dentro de cada ator. Quais serão elas? Assim como Arena contava Zumbi, Tiradentes, Bolívar para falar de liberdade, Villare conta a ditadura para falar das lutas que ainda existem, mas são cada vez as mais diversas e se confundem nos coros da multidão de atores. A luta de cada um que se dissipa no coro, facilita o soltar do grito preso na garganta de cada um. E que bom! A ditadura não declarada permanece deixando suas marcas na sociedade e o Teatro Villare dá a seus alunos a liberdade e o direito ao grito.

Gosto de acompanhar o trabalho e a história de cada grupo. Venho dizendo isso há dias. É minha segunda visita ao Villare no palco do Santos Dummont e vejo um movimento no espaço e no tempo, uma identidade. E como isso me encanta. Os meninos de Aurora cresceram, foram à universidade e a palmatória continua. Visitar o passado é, dessa forma, olhar para o hoje. E volto a Aurora, relembro do palco nu, da multidão de gente boa e bonita com algo a dizer em palavra e movimento, traços de direção e equipe de alunos e ex-alunos. Meu desejo é que se grite mais e mais. E que o grito continue rompendo as barreiras da escola, não se dissipe e se transforme em ação. Grita, cerra esse punho e vai à luta. Em dois dias vamos às urnas. E muitos desses meninos, de “Aurora” e “Você de novo.” Votarão pela primeira ou segunda vez. Acende-se em meu peito então a esperança. Apagam-se as luzes, fecham-se as cortinas. Vamos todos à luta.  

Logo após o espetáculo, conversei com Guilherme Panhota sobre o espetáculo e ele contou suas impressões sobre o que ele sentiu e o que pensa sobre o espetáculo.



Ainda no caminho de volta, o espetáculo suscitou diversas reflexões e debates, dos quais alguns foram gravados aqui, nas vozes de Miguel Tescaro, Carol Tello, João Pedro Liatzkowski, Anna Ediene, Duda Oliveira e Maria Eduarda Venâncio. 


VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.