Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil – SONHO SEM COR

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Sinto-me em casa. Já é quinta e o término do Festival está muito mais próximo do que o começo, isso já me deixa habituado ao processo de escrita desta coluna, que escrevo apenas durante sete dias no ano. Isso já me faz ficar com saudade e pensar na possibilidade de seguir de alguma forma nesta aventura tão enriquecedora. Vou pensar em formas de fazer este trabalho. Acho que é algo importante a se fazer. E me dá uma alegria danada. Também fico à vontade para falar sobre a Trup´iê, pois conheço-os bem. Para quem não sabe, este é o grupo da minha esposa, Roberta Conde. Como manter a imparcialidade?

IEMANO – Instituto de Educação Manoel da Nóbrega – DIADEMA – SP

 

Grupo TRUP’IÊ

Espetáculo
SONHO SEM COR.
Texto de João Satelis e Roberta Conde.

Sinopse: A cidade de Cinzanópolis, que outrora chamava-se Arco-Íris, sofre há três décadas de um mal: nenhum morador conhece ou se lembra do colorido que há no mundo, a não ser o ditador Lívido e o Sábio Emanuel, que um dia, escreveram a “Poesia das Cores”. Com o desejo resolver o problema da cidade e de seus alunos, dois palhaços professores procuram a cidade de Arco-Íris em busca desta poesia, pois somente ela fará tudo voltar como era antes.

Tempo de duração: 50 min.

Isso não é uma crítica
(É a partilha do desejo de colorir o mundo)

Acompanhei de perto o nervosismo do elenco durante o ensaio geral no palco do Santos Dumont. Todos nervosos e preocupados. Era momento de estréia. Estrear é bom, mas o espetáculo fica melhor depois de certo tempo. Todos sabem disso. Mas rolava um medinho a mais. Uma insegurança e uma pulga atrás da orelha  de todos sussurrava: “Será que vai dar certo”. A resposta foi no palco. Não é que deu certo, foi pleno e puro em essência. Tocante e apaixonante.Muito mais que a frieza do certo ou errado. Um colorido para a manhã de quinta “choventa” e “cinzosa”.A poesia recolore o mundo cinzento. Uma diretora com alma de criança, crianças com alma pura e desejo de transformação. Um mundo melhor, bem melhor que outros mundos. Tive vontade de me mudar para Arco-íris. Mas numa hora dessas, brilhou algo em mim. Percebi que Arco-íris era onde estava, era qualquer lugar. Era onde eu pudesse encontrar cor, encontrar meus sonhos. Foi isso que a Trup´iê foi capaz de fazer. Iluminar e colorir. O público presente pôde reconectar-se com seus próprios sonhos. E não é em qualquer lugar que se pode fazer isso. Sonhar hoje em dia é quase uma ofensa, um disparate, uma heresia. E quando ouço uma pequena atriz dizer numa quebra de quarta parede “Meu sonho é ser atriz para levar cultura e sorriso às pessoas…”, aquele nó na garganta, aquelas contrações do rosto e algumas lágrimas chegam à beira dos olhos. E a emoção não rolou só comigo. Emocionou muita gente e fez refletir. Estamos deixando o cinza tomar conta de nossas vidas? Isso é arte, arte com significado. Isso é educação que transforma o mundo. Não uma pilha de páginas cinza-claro para copiar e entregar numa folha de almaço cinza-chumbo para valer nota e entrar no boletim cinza-gelo.

O trabalho é apaixonante sobretudo por isso. Mas há outras coisas que também encantam. Um grupo numeroso e heterogêneo, que trabalho em sintonia, com os mais velhos ajudando os mais novos. O visual bem trabalhado e cuidado, assinatura da diretora e figurinista que eu tenho em casa e cujas características e influências conheço bem. O Clown e toda a sua beleza. A intensidade, a força de João Satelis, capitaneando o elenco e segurando buchas, resolvendo em cena os problemas que aparecem como quem aos 45 minutos do segundo tempo, pega a bola e fala: “Deixa que eu bato.”. E aí, é gol. Gol da Trup´iê, gol do Projeto Potência, gol do Teatro Estudantil. Comemora a torcida. Dentro de mim, uma multidão em cores.
Marina Simão, que faz uma palhaça professora, conversou com a gente sobre a apresentação.  

No ônibus, tarde da noite, quando conversávamos Miguel e Carol conversaram sobre a experiência de assistir a trupe.

 
Potência!

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.