DNA – Escola da Vila – Festival Fundação das Artes 2017

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Aqui estamos de volta à Cobertura do Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil 2017, depois de um hiato de um ano, já que não estivemos presentes na edição de 2016, por conta de toda a loucura do Projeto Potência, que ano passado, aconteceu aqui no ABC e nos consumiu uma energia sobre humana. A cobertura continuará como sempre. Infelizmente não poderemos acompanhar todos os espetáculos, mas com todo o carinho, assistiremos a todos os espetáculos possíveis e deixaremos um relato amoroso de cada experiência.

O que eu mais gosto do Festival é a oportunidade de encontrar outros tipos de fazeres teatrais. Vivenciar a diversidade é extremamente enriquecedor, apaixonante. Realizar esta cobertura é delicioso. Termino a semana super cansado, mas saio tão feliz e transformado, que é por isso que continuo.

E lá vou eu para aquela rotina gostosa. Começo com a “Escola da Vila”, que conheci em 2015, quando escrevi sobre o espetáculo “Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir e destruir-me.” 

Espetáculo: DNA 
Grupo de Teatro “Escola da Vila”
Texto: Dennis Kelly
Direção Tuna Serzedello

Sinopse: DNA retrata o dia a dia de adolescentes tentando enfrentar a realidade depois de um acontecimento que muda suas vidas. O que parecia ser uma brincadeira sem consequências acaba extrapolando limites e desafiando a ética e a moral do grupo de amigos.


Isso não é uma crítica

…é um relato caótico da experiência vivida…

Dividiram a gente em dois. DIVIDIRAM A GENTE EM DOIS. Colocaram a gente na coxia. Na coxia, entende? Uma parte foi pra lá, outra parte foi pra cá. A peça ia acontecer simultaneamente aqui e lá. Entrei e fiquei esperando. Tinha bastante gente. Estava lá conversando e apagaram a luz. Ficou tudo escuro. TUDO COMPLETAMENTE ESCURO, CARA! Eles entraram com umas lanternas. Desesperados, mano! Completamente desesperados. E parecia verdade mesmo. Alguém morreu e deu ruim, deu merda, a casa caiu, fodeu. Fodeu muito porque eles eram culpados. Responsáveis. Fizeram uma cagada, uma cagada das grandes.

E eu ouvia tudo. Ouvia e via o que estava acontecendo na minha frente, bem na minha frente mesmo. Mas eu também ouvia tudo que rolava do outro lado. Tudo mesmo. Estava ouvindo as duas coisas ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo mesmo. Alguém falava algo na minha frente, eu ouvia o mesmo do outro lado. Era meio igual, mas era diferente também. Eu me angustiava. E me angustiava pra caralho. Confunda minha cabeça. Eu quase enlouqueci, dava vontade de se angustiar. Porque eles estavam angustiados de um lado, angustiados de outro e doía na minha cabeça como se estivesse acontecendo ao mesmo tempo tudo aquilo dentro da minha cabeça.

A merda ia ficando mais fedida, a cada minuto mais fedida. Eles fizeram uma puta de uma merda e conseguiram cagar e sentar em cima. Puta que pariu. E a coisa acontecia de um lado, acontecia de outro e tudo junto na minha cabeça. Tudo ao mesmo tempo. Todo mundo desesperado e um moleque ficava com o olhar perdido, comendo um monte de coisa, todo mundo desesperado, ele arruma um jeito de sentar em cima da cagada e todo mundo vai junto. Conclusão: deu merda geral, mano! Deu ruim mesmo! A punição: a loucura. Enlouqueceram, enlouqueci também. Enlouquecemos todos. Mas eu juro. A Culpa é deles, não é minha. Eu não fiz nada, só estava presente. Conivente? Eu? O que eu poderia ter feito?

A história é uma sucessão de cagadas. Mas neste caso, se deu ruim para os personagens, deu bom, deu ótimo para a gente, público. O teatro nos dá a possibilidade de enlouquecer por um tempo. Normalmente essa possibilidade é dada ao ator, cabe à plateia apenas observar e absorver. Poucas vezes fui convidado a enlourecer-me e angustiar-me junto com os personagens, pelo menos daquela forma. Senti-me conivente, cúmplice. Minha vontade era sair correndo para denunciar todos eles.

Elenco durante o bate-papo após o espetáculo

A “Escola da Vila” mais uma vez me proporcionou uma experiência marcante, reflexiva e transformadora. É por isso que amo tanto Teatro Estudantil, pela possibilidade de viver experiências como estas. E ainda tem gente que desmerece o teatro que é feito nas escolas. Para mim, creio que para muita gente, é impossível passar por “DNA” sem ser tocado por ele. As impressões ficaram registradas em mim. E reafirmo: Não fazemos teatrinho.

Alguns integrantes do elenco após a apresentação

Logo depois da apresentação, pude conversar com a Dupla João Pedro & João Pedro, com a Vitória e com a Lia, que chegou no finalzinho. Os quatro fazem parte de um dos elencos, que apresentou a peça simultaneamente. Eles contaram sobre a experiência.  Confere só!

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.