Desequilíbrio (Trup´iê) por Miguel Tescaro – Cobertura Colaborativa do Festival FASCS de Teatro Estudantil

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Dando prosseguimento à cobertura do “Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil 2018” e inaugurando a Cobertura Colaborativa, Miguel Tescaro, diretor do Núcleo Cativar de Teatro e integrante da equipe pedagógica do Grupo Brinquedo Torto, faz sua análise de “Desequilíbrio, da Trup´iê de Diadema.

Se você quiser também quiser participar dessa cobertura, é só entrar em contato conosco pelo whatsapp no número 11 983897889.

Vamos ao texto:

TRUP’IÊ – “Desequilíbrio”

Foto: Divulgação Trup´iê

Esse texto não é uma crítica, é o olhar carinhoso de um fã de longa data.

Trup’Iê é o grupo de teatro estudantil do Colégio IEMANO, em Diadema, dirigido por Roberta Conde. Já na ativa a seis anos, também integra o coletivo de grupos do Projeto Potência e posso dizer com orgulho que acompanho o trabalho deles desde seu nascimento.

Começo essa análise compartilhando meu olhar como fã do grupo. Sinto que a Trup’Iê tem falado sobre desequilíbrios desde antes do processo criativo desse ano. O desequilíbrio pode ser visto nas relações na escola de “Quem é você por detrás de todos?” (2013/2016), no casamento de Luísa e Raul em “Lembra-te por mim” (2015), no descontentamento da população em “Sonho sem cor” (2014) e em “Do que você precisa?” (2016), na repressão em “Nem um ruído” (2017) e até nas pessoas ignoradas em “Samba Invisível” (2012), primeiro exercício cênico do grupo.

Ou seja: o tema não é desconhecido, mas agora eles resolveram analisar o desequilíbrio dentro de nós mesmos, onde o medo e a coragem se misturam a tantos outros sentimentos pra ver quem vai tomar conta das nossas ações quando perdemos nosso equilíbrio.

A linha narrativa de “Desequilíbrio” é basicamente essa: quando o rei “Equilíbrio” morre, seus filhos “Destemor” e “Fobia” brigam para ver quem vai reinar sobre os outros sentimentos, polarizando a opinião do povo (onde eu já vi isso?) que sabe que o novo reinado só será bom se uma certa profecia, ainda desconhecida, se cumprir.

Os personagens alegóricos da peça, como a “Culpa”, o “Amor”, a “Esperança”, entre tantos outros, nos refletem ali no palco. Facilmente nos conectamos com a narrativa, pois vivemos ela todos os dias.

Agora indo para um olhar mais técnico, é possível dizer que o grupo estreou o espetáculo bem, rendendo um bom debate após a apresentação, com apontamentos muito interessantes da banca que fez a análise após a apresentação. Destaco também a marca registrada da Trup’Iê, que sempre traz esse elemento com muita força: o coro. Dessa vez, vem para unificar a voz do povo, onde todos os sentimentos falam juntos ou vem nos movimentos que criam formas no palco ao virem coletivamente. Ainda falta um pouco mais de precisão, expansão do corpo e da voz que só a experiência e o bom ensaio vão trazer.  Também amaria que cada sentimento tivesse uma construção corporal mais expansiva e característica, já que estão brincando com alegorias, mas aí já uma opinião beeeem subjetiva e nem um pouco objetiva.

Encerro meu raciocínio torcendo para que essa juventude ativa e cheia de vontade que é a Trup’Iê traga um pouco de equilíbrio em tempos tão desequilibrados.

Foto: Divulgação

Ouça os comentários de Camilly, Victor e Priscila, integrantes do elenco.

Depois, Gabriel e Rodrigo, ex-integrantes do grupo, fizeram questão de comentar o que acharam da peça. Muita atenção para o que eles dizem no final do áudio.

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.

  • Priscila

    Nossa Miguel, eu amei de verdade. Cada elogio e cada crítica construtiva é essencial para nós nesse momento. O nosso trabalho foi muito bem representado neste post. Eu admiro muito o seu trabalho, e você não sabe a minha felicidade quando soube que você escreveu sobre nós.