Começando mais um Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil

Posted on Posted in Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil, Novos Encontros
Reproduzir

Ontem, dia 14 de outubro de 2018, teve início uma das ações mais importantes para o Teatro Estudantil na Região do Grande ABC, o Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil. Recebendo desde grupos das cidades próximas até de outros estados, os espetáculos integrantes do evento apresentam um recorte da produção teatral realizada em escolas e a potência do teatro neste contexto, que possui suas peculiaridades em relação à pratica teatral em escolas de teatro ou em caráter amador e/ou profissional.

A semana em que acontece o festival costuma ser bastante puxada para mim, mas extremamente prazerosa. Costumo assumir o compromisso de acompanhar ao máximo os espetáculos e escrever carinhosamente uma resenha para cada um deles. Sempre acaba faltando algum grupo, porque acabo não dando conta. Por isso, pensei neste ano em realizar uma “Cobertura Colaborativa”, como já vi acontecer no Festival Estudantil de Belo Horizonte – FETO. Fica então o convite para quem quiser compartilhar com a gente suas experiências, suas análises, suas fotos, suas considerações, seus áudios e qualquer outro tipo de material. Basta entrar em contato pelo número 11 983897889.

Como tradição, o Festival tem sua abertura realizada pelo Núcleo de Teatro Adolescente da Fundação, instituição realizadora do evento. Nunca tive a oportunidade de assisti-los, já que festival sempre ocorre concomitantemente à realização da Temporada do Grupo Brinquedo Torto, do qual sou diretor. Este ano, finalmente as datas não bateram e pude conhecer o trabalho sobre o qual carinhosamente escreverei algumas linhas a seguir. Vale lembrar que a coluna “Isso não é uma crítica” é uma reflexão pessoal sobre o trabalho assistido, em observo características do grupo e sua obra no tempo e no espaço, o trabalho de ator dos alunos e os traço pedagógicos mais marcantes, sem o objetivo nem a intenção de me apresentar como um crítico de teatro e sim como um colega de trabalho, que procura organizar em forma de texto, os impactos produzidos pela obra, pelo elenco e pela pedagogia deles emanada.

Espetáculo: “Cartão de Embarque”, de Daniel Herz

Grupo: Núcleo de Teatro Adolescente da Fundação das Artes de São Caetano do Sul

Orientação: Vanessa Senatoria e George Vilches

Sinopse: Vinícius, um jornalista renomado que acaba de perder o emprego, tenta manter sua sanidade enquanto procura um novo trabalho. Ao fugir de tudo e de todos, mal sabe ele que as pessoas à sua volta o conhecem melhor que ele mesmo.

Foto: Jéssica Teodoro @umolharemcena

ISSO NÃO É UMA CRÍTICA

… é uma mensagem de “Dia dos Professores”

Fui aluno de Vanessa Senatori durante o Curso Técnico em Arte Dramática da Fundação das Artes. Nunca escondi o afeto que nutro por ela e que de todos os excelentes professores que tive lá, ela é certamente aquela por quem tenho mais carinho. Fico muito contente quando a vejo na plateia, acompanhando meus trabalhos como diretor e me orgulho muito de dizer dentre todos os professores que tive, ela é a que mais me acompanha.. Fui colega de George Vilches no mesmo curso, colega de trabalho no Programa Tempo de Escola e admiro seu trabalho como artista e como educador e já pude conversar sobre isso com ele algumas vezes.

Essas duas pessoas não só tiveram e têm influência sobre meu trabalho como também me orgulho de conhece-los de compartilhar com eles uma jornada de resistência de paixão pela educação, pelo teatro e pela transformação do mundo. E é por isso que a escolha da temática “violência”, me deixa extremamente feliz e só reforça a admiração e o carinho que tenho por ambos. Em nosso contexto atual, um jornalista que perde um emprego por dizer que a violência é algo latente no ser humano, é um assunto necessário, urgente e certamente terá ecos muito positivos nos alunos que participaram deste processo.

Foto: Jéssica Teodoro @umolharemcena

Questões técnicas e pedagógicas relativas ao trabalho existem como em qualquer trabalho com um texto complexo como “Cartão de Embarque” e sendo ainda uma apresentação de estreia. Certamente a experiência de ambos será capaz de fazer os devidos ajustes para aumentar a conexão do elenco com a plateia. O desenho das cenas é claramente um dos fatores que mais nos salta aos olhos e onde a pedagogia se torna mais evidente. Agradeço demais aos dois pela oportunidade de vê-los novamente em ação, de tê-los como colegas e de perceber na fala e na voz embargada da Vanessa, que todos nós podemos estar em perigo e que precisamos, mais do que nunca, dar as mãos, resistir e fazer jus àquele ritual que antecede cada espetáculo. “Eu preciso de você! Pode contar comigo!”. Independente do que vier, resistiremos e continuaremos fazendo a diferença. Mais do que nunca, o teatro estudantil é uma trincheira de onde podemos continuar em luta e o Festival, uma batalha de onde todos saímos vencedores. A vocês dois e a todos os colegas que passarão pelo festival durante esta semana, meu FELIZ DIA DOS PROFESSORES!


Para terminar, o Iuri Mazini, ator não só deste espetáculo, mas do grupo Kazemunus e do Brinquedo Torto, compartilhou sua impressão e alguns detalhes e do clima que estava rolando nos bastidores. Vale a pena conferir.

VarleiXavier About VarleiXavier
Professor Xavier é meu herói preferido. Sempre me senti meio mutante, perdido e deslocado, mas o teatro (essa irmandade) me salvou. Desde então, com meus poderes mentais, recruto seres especiais para cumprir minha missão: Levar encantamento ao mundo. Professor, Ator, Dramaturgo, Diretor, Contador de Histórias e Sonhador Potente.